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Carta à gaveta

sexta-feira, 7 de março de 2025

 Metrópole, meio do verão.


Hoje senti vontade de te escrever. Te contar todas as coisas que andaram acontecendo por aqui, cada nova aventura incrível repleta de personagens únicos que estavam na fila do caixa do mercado na véspera do feriado prolongado. Queria comentar o final daquela série sueca que achei quase escondida no catálogo do streaming, ficar horas tecendo teorias sobre se o carro estava realmente indo para o norte ou para o sul ou tanto faz desde que ele seguisse se movendo.


Movendo... Eu ainda moro na casinha, aquela casinha que era pra ser nossa mas... O que aconteceu? De repente eu não sentia mais a necessidade de te contar que os tomates da nossa hortinha cresceram fortes e graúdos, que os temperos seguem perfumando cada refeição e que o girassol, infelizmente, secou. Ouso dizer que parte do motivo dele secar foram as formigas ou as lagartas... De qualquer forma as borboletas vieram visitar as flores coloridas do jardim do lado da varanda que você gostava de buscar tintas da mesma cor das pétalas.


Falando nas suas pinturas, ainda tem feito elas? Aquele seu quadro segue na sala, comprei uma moldura de alumínio porque os cupins comeram aquela de madeira, fiquei triste, busquei outra parecida... Mas nunca achei. Ah e aquela loja de tintas que a gente ia no shopping aqui perto fechou, o dono disse que o aluguel estava alto demais pro movimento e ia reabrir a loja na garagem de casa, ofereci meus préstimos de publicitária para ele, por um tempo ele foi meu cliente, mas coisa de uns seis meses atrás ele disse que ia fechar a loja e se aposentar, todo o material restante ele vendeu muito barato. Cogitei comprar um kit de pintura, mas... Não sei se quero passar por toda a curva de aprendizado para aprender a pintar em tela. De qualquer forma comprei alguns pincéis, se eu mudar de ideia um dia já vou ter como começar.


Como você pode imaginar sigo trabalhando na mesma área, alguns clientes saem, outros entram, às vezes me aperto na grana, às vezes tô mais folgada... É cansativo, estressante, mas eu adoro trabalhar com o que eu trabalho. Sinto um prazer inenarrável ao ver uma arte, um texto ou qualquer outra coisa que eu criei indo além dos meus domínios, indo além do que eu posso controlar, é uma delícia.


Sigo fazendo terapia, às vezes é o ponto alto da minha semana, às vezes é a paulada na cabeça que termina de me matar (metaforicamente falando) e... Fiz as pazes com meus pais, com o passado, tudo que aconteceu, aconteceu por uma razão e na época que tinha que acontecer, nada foi fora de lugar ou antecipado. De vez em quando vou visitar o lugar onde batemos, mantenho uma capelinha ali, com um caderno dentro de um saquinho impermeável onde escrevo uns poemas para eles... Quando for lá de novo tiro uma foto e...


O que aconteceu com a gente? Tudo isso que eu quis te contar, super empolgada, tenho mais milhares de coisas para te contar e você está ao alcance de um nome na agenda, é só eu clicar e mandar um áudio, uma mensagem, uma ligação... Mas não consigo mais. Não sei o que aconteceu entre a gente, se foi o oceano de distância, se foi o tempo ou só a vida que é assim mesmo... Aproxima alguns, afasta outros... A verdade é que essa distância toda, essa barreira invisível que construímos, esse silêncio todo é só o aspecto mais visível de um adeus não dito.


Talvez seja isso, talvez toda aquela enxurrada de mensagens que eu queria te enviar, toda aquela enxurrada de coisas que eu queria te contar... Não são importantes. Quando acontecer algo grande eu te conto, ou não... 


Esquece. A quem estou querendo enganar. Essa carta esta sendo escrito e vai ser postada na minha gaveta infinita de textos que nunca vão ser enviados, nunca vão ser publicados e nunca vão siquer lidos. Mas, deixo como um último verso um desejo, ainda que fino, de que esteja bem e se cuidando.


J.

Ao outro lado do Oceano

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

 Metrópole...


Não sei que dia é hoje, podia pegar o celular e ver, mas, não importa, mesmo eu tendo aprendido que cartas começam com o local e a data. Mas, não importa que dia é ou deixa de ser, importa o dia que estiver com esse pedaço de papel entre as mãos.


Não é doido que, mesmo com a tecnologia imensa que temos hoje eu tenha mandado uma carta que deve ter levado algumas semanas pra chegar? Acho legal isso, o envelope com as bordas verde-e-amarelo foi uma invenção da Europa pra quando mandassem uma carta para outro país saberem que aquela era pro Brasil... mas acho que já sabia disso e nem é por esse motivo que escrevo.


Escrevo essas linhas sentada no chão, entre várias bolinhas de papel das versões anteriores da mesma carta que não consegui concluir, que estava ficando ruim, que minha letra estava feia... confesso que já deviam fazer uns bons anos que não escrevia nada à mão. Normalmente escrevo listas de compras e alterações nos trabalhos que estou fazendo, coisa de poucas palavras.


A verdade é que tem algumas semanas que estou com esse pensamento recorrente na cabeça, que estou tentando voltar algumas casas no nosso Jogo da Vida para entender o quê aconteceu, em que jogada as coisas ficaram estranhas. Nem nossa conversa no aplicativo explica o que aconteceu, porque um dia estávamos falando e do nada... paramos.


Faço um mea culpa porque eu também não procurei, não cutuquei mais, porém... não o fiz por achar que ia ser chata, odeio me sentir o fardo de alguém, por isso, assim como você, acabo me calando enquanto espero um sinal de que posso voltar a puxar papo.


Lá fora chove torrencialmente já fazem uns dois ou três dias e tudo que eu penso é como queria algum alento. Antes que pergunte eu e Dominic estamos bem, o problema é que... não tenho com quem dividir coisas banais, pra quem mandar um áudio de vinte minutos, às três horas da manhã falando de um cliente ruim, de uma pessoa estranha que vi no mercado, de como passei a odiar a chuva nesse lugar quase tanto quanto odeio os dias de sol... 


Escrevi tanto que parece que minha tendinite voltou, por isso vou me abreviar e perguntar, com toda a sinceridade e sem nenhum tom de cobrança ou maldade: o que aconteceu com a gente? Sinto saudades nossas.


Com um amor saudoso,

J.

Entropia

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Não tem como dizer o que acontece. Pode ser um pico de stress, um ápice de riso, qualquer situação, quando você vê a sensação de estar sonhando está lá. Pode parecer confortável não ser atingido por nada, mas não é, é sufocante. Não vou dizer que é a pior sensação da vida porque já senti coisa pior. Mas é angustiante, você não sabe se vai conseguir parar, quando vai passar, se vai passar.

É uma defesa do cérebro antes de acontecer algo pior, penso que deveria durar pouco, acredito que pra maioria das pessoas dure segundos, seja imperceptível, mas pra mim acaba durando horas, dias, semanas. Arrisco dizer que já durou meses um tempo atrás. Arrisco porque afeta a memória e, quando penso nisso, tento ter lembranças antigas e tenho uma, com uns onze pra doze anos, estava em uma churrascaria e tenho a imagem de ter virado pra minha mãe e dito "tô com a impressão que estou sonhando", é só um flash, uma cena de, no máximo, cinco segundos.

Depois disso é um grande campo branco. Não lembro de mais nada. Minto, pra não dizer que não lembro de absolutamente nada eu tenho mais flashes de cinco segundos nos anos que se seguiram. Um no banheiro, um na escola... de resto não tenho nada. As coisas que alego ter passado ou é coisa que todo mundo passou, história que alguém disse que passei ou coisa que eu invento. Aprendi a inventar boas histórias sobre meu passado.

Se isso ficasse só no passado mais remoto maravilha, porém não é o que anda acontecendo. Todas as lembranças de anos recentes acabam se tornando algo branco, vazio. Ou, pra não perder completamente nada, ficam aqueles flashes. E o mais foda é que, de uns dois anos pra cá, começou a ficar mais intenso. Graças à internet descobri um possível nome pra isso: despersonalização.

Não gosto de usar muleta de doença, mas caso eu realmente tenha essa eu não sei o que fazer. Não sei como agir, não sei pra onde ir ou pra quem pedir ajuda. Houve uma época que eu conseguia sair das crises mais intensas provocando dor física. Hoje não funciona mais, é como se fosse uma pedra caindo numa lagoa: faz as ondas e logo volta tudo ao normal. Quase como se meu cérebro buscasse uma entropia. Entropia. Vou chamar isso aqui de entropia.

Nada é real. Ou é? Tem dias (como hoje) que eu vou acordar de um coma ou algo parecido lá nos onze anos. Só que acho que minha cabeça não é tão inventiva a ponto de criar tantos anos a frente... se bem que ela criou segundos de anos. Merda. Não sei mais o que fazer. E ninguém vai ter a resposta. Quando perguntarem o que é eu prefiro dizer que não é nada ao ter que explicar tudo isso... até porque ninguém vai entender mesmo. Então eu prefiro pegar, mentir tudo e pronto, ainda está funcionando.

Não. Não está. Sim. Eu estou em total conflito. E não é entre personalidades, é entre eu e eu. É diante de um espelho imaginário. E nesses momentos eu tenho a nítida impressão de que eu não existo e os versos de Pessoa (sempre ele e sempre esses versos!) me vem: Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo.

Já não sei mais sobre o que estou escrevendo. Eu devia estar trabalhando, mas zero ânimo de trabalhar. Amo meu emprego, mas nos últimos dias tudo tem sido um grande nada. E aí a urgência de fazer algo que marque, que seja realmente diferenciado fervilha. Mas eu não posso fazer e, quando vejo, o dia passou e não fiz nada. De novo. Talvez esse campo vazio de lembranças seja justamente por isso, por eu nunca ter feito nada. E Pessoa vem de novo.

Loba

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Mandou um beijo com a palma da mão, agradeceu pela compania até agora e deu tchau fechando a câmera. Suspirou aliviada deixando o corpo cair na cama. Tirou a peruca rosa a jogando para o lado. De olhos abertos Érika viu o teto do quarto sujo. Qualquer dia tinha de limpar, se bem que esse cômodo aqui só precisava estar arrumado o que ela queria mostrar nas lentes - no caso a cama, uma parede com funkos que ganhou de presente e um grande quadro de uma pinup que achou em uma loja por um preço ridículo.


Várias vezes pensou em parar. Aquilo ali não era vida. O pior é que ela gostava, fora que era um puta complemento de renda. Se ficasse apenas como garçonete nos finais de semana não poderia manter o padrão de vida que seus filhos tinham. Terça, quarta e quinta tinha show marcado. Enquanto alcançou o celular chegou na mesma conclusão que sempre chegava: pelo menos não era prostituição na rua, ela apenas se mostrava na câmera e sempre com quem pudesse pagar mais. Em um mês bom tirava quase oitocentos dólares limpos. A maior parte ia para a casa e uma parte guarva para alguma aventura.


Claro que ela tinha um sonho secreto. Ainda se lembrava do dia que uma russa lhe pagou cinquenta dólares para ficarem conversando, bebendo e se mostrando na câmera. Pensar nisso lhe deixou molhada. Balançou a cabeça negativamente. Puxou do canto da cama a calcinha que havia jogado longe, o sutiã que estava no mesmo canto também foi vestido junto do robe de uma marca vagabunda que havia comprado na internet mas era bonito. Quase confortável.


Do armário atrás do notebook pegou a garrafa de tequila. A mesma que havia comprado para um show onde, a cada dez dólares, viraria uma dose. Bebeu quatro doses naquele dia, dormiu com a câmera aberta. Ainda tinham dois terços de garrafa. Por trabalhar no horário da Rússia e da Ásia sempre trocava o dia pela noite e agora não tinha um pingo de sono. Olhou o relógio. Duas e cinquenta e três. Pensou em Amanda, sua filha com Wellingtown, semana que vem ela faria seis anos e passaria a ir para a escola. Tobias ainda tinha seus dois anos. E pensar que oito anos atrás teve uma oportunidade de ir embora do país.


Abriu a garrafa arrancando a tampa com a boca. Pensou que plot twist azedo se tornou sua vida. Bebeu um farto gole para abafar esse pensamento. Resolveu colocar seu fetiche em dia. No seu idioma. Entrou na sala de bate-papo. Agradecia aos céus por elas ainda existirem. Sempre ficava na câmera contra outra câmera. Perdeu as contas de quantas em vez de uma mulher viu outra coisa. Lamentável.

Foi quando viu um nick diferente. Desde sempre se dizia a Loba Morena. E agora na sua tela surgia a Raposa Solitária. Será que haviam parentesco entre lobos e raposas? Não sabia e não estava com a menor vontade de pesquisar. Bebeu um gole curto dando seu já clássico olá. Quatro minutos depois a Raposa respondeu.

Mais um gole. Um trovão rompeu o céu madruguento anunciando uma tempestade. Comentou com a Raposa que disse ter ouvido o mesmo. Não deviam morar longe. Será que hoje teria coragem de ir até o fim? Bebeu um gole longo. A metade da garrafa já ficou para trás. Hoje ia ver até onde era capaz de ir.

Falaram sobre inúmeros assuntos até chegar ao ponto da curiosidade sobre quem era por trás. Dessa vez não estava pronta caso fosse um homem. Hesitou um instante. Não haviam homens tão interessantes acordados esse horário.

Carregando. Érika viu o próprio corpo refletido na imagem da própria câmera. Um segundo mais e apareceu o corpo da Raposa. Os fios loiros cobriam uma camisola simples de tom rosa-chá. Mais algumas frases e logo decidiram mostrar rosto. Érika tinha um rosto ovalado, olhos pequenos, boca estreita e nariz fino, tudo herdado de seu avô, que veio do Japão. A Raposa propôs um brinde. O brinde aceito ambas beberam fartos goles. A Loba tequila, a Raposa vodka.

Logo o calor - uma desculpa - as obrigou a despirem-se. Érika sentiu o corpo tremer. A respiração subiu, o sorriso fino ao ver o corpo extremamente normal da Raposa lhe trouxe planos. Agora era a hora de realizar aquele velho plano. Trocaram telefones.

Assim a Loba Morena voltou a ser Érika e, agora, a Raposa Solitária passou a se chamar Janaína. Uma ligação se fez para confirmar as identidades. Obviamente todo aquele sangue no álcool das duas trouxe uma proposta que ninguém sabe de onde surgiu. Mas terminou com Érika retorcendo os lençóis da cama bagunçando tudo. Os gemidos baixos para não acordar ninguém dos quartos vizinhos era abafado pelo travesseiro.

Silêncio. Depois de quatro minutos as vozes voltaram à chamada telefônica. Érika tomou a iniciativa, tinha que colocar todo aquele desejo para fora, aproveitar a oportunidade. Propôs um encontro para já, o dia seguinte. Final da tarde. Janaína aceitou propondo local público. Um shopping para depois decidirem para onde iriam.

A ligação acabou com Érika com um sorriso imenso. Já devia ter machucado o lábio de tanto que o mordiscou. Se levantou, arrumou o lençol, desligou o notebook e caiu na cama. Acordou no meio da tarde com Wellington a chamando. Ele sabia que ela ganhava dinheiro com a internet. Ela dizia que de madrugada era mais propício para trabalhar porque alguns dos clientes que prestava consultoria eram asiáticos. Sua meia verdade fazia sentido. Meia verdade. Meia mentira.

Limpou o quarto, cuidou das crianças. Pensou novamente em largar tudo. Mas a grana era boa demais pra abrir mão assim. Pegou o telefone. Centenas de mensagens que foram sumariamente ignoradas. Tudo aquilo não podia ter sido fogo-de-palha, enviou uma mensagem para Janaína confirmando o encontro.

Se sentia errada mentindo. Mas era preciso, não haviam empregos para mãe de duas crianças. Todo mundo achava lindo um par de filhos mas ninguém sabia o que ela e Wellington sofriam para cuidar. Quando já se dava por resignada, seu encontro havia ido por água abaixo a tela do pequeno aparelho com uma rachadura na tela na lateral superior esquerda acendeu. Sorriu de canto. Aos viventes da casa disse que tinha uma reunião na sede da empresa que ficava do outro lado da cidade e, por isso, frente às últimas luzes do dia, sairia rumo ao outro lado da cidade. Sozinha no quarto vestiu uma calça jeans normal, uma blusa preta do Nirvana, nos pés um all star baixo. Na bolsa levava, além do celular, chaves de casa, algum dinheiro e spray de pimenta uma muda de roupa íntima mais sensual, infelizmente conforto e sensualidade não passavam pelos mesmos departamentos nas fábricas de lingerie. Deu um beijo em todos e seguiu rumo a porta.

Já no portão respondeu que estava saindo, mesmo que faltasse mais de uma hora para a hora combinada. Aproveitaria para passar pela loja e ver qual era o preço daquele telefone que Amanda queria e depois shopping. Se bem que ia propor um bar de rock não muito longe dali.

Dia de realizar desejos.

Garoa

domingo, 9 de abril de 2017

Costumava andar lado a lado com a solidão, segurava sua mão com força, tínhamos uma relação intensa de intimidade. Tanta foi a intensidade que ela desistiu de andar ao meu lado, quis dar um passo maior. Hoje vive dentro de mim, tem de mim tudo que sou. Deve ser isso o tal do amor.

Mefistófeles

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

É estranho escrever estas linhas. Sério. Eu já comecei esse tipo de carta tantas vezes que não posso me lembrar. Não sei nem se chego ao fim dessa, se a motivação que me colocou a pena à mão se manterá conforme redijo. Muito provavelmente a vontade e o desejo de partida sejam maiores do que a minha capacidade de me manter em pé.

Hoje provavelmente está sendo um dos piores do ano e por isso essa motivação. Não, não teve um grande acontecimento, algo que me fizesse querer desistir nessa altura. Nada demais, apenas a complexidade de tudo, a necessidade de manter tudo junto, de manter todas as marionetes presas aos dedos e de mante-las se movimentando. Explico: eu acredito que todas as coisas da vida são marionetes que controlamos. Na infância temos as marionetes de brincar e de estudar, depois vai aumentando a quantidade de fios, de marionetes... até tudo funcionar certinho muita gente se ferra. Entre elas eu.

Não vou fazer aquele discurso de "ah como o sistema é mau" e de como tudo que nos cerca nos poda e nos impede de sermos o que queremos/podemos/vamos ser. E não venham dizer que "ah, mas ninguém pode correr pelos teus sonhos, você tem que se virar". A vida é linda em postagens de rede social onde "casal 'larga tudo' e viaja o mundo". Se fosse tão simples todo mundo fazia. E esse "tudo" que eles tinham era o que? A casa dos pais? Pff. A vida real, de quem ganha o suficiente pra existir e manter meia dúzia de pequenos vícios (pequenos e baratos) não comporta esse tipo de fuga. 

Mas não é disso que essa carta trata. Ela trata de mim e do meu convívio constante com as minhas inquietas sombras. Se você, que está lendo, não conhece sugiro ler Fausto, do Goethe e Dom Casmurro, do Machado de Assis. Mefistófeles cada dia que passa vem com um discurso cada vez mais afiado e mais convincente. Não é uma carta suicida ou coisa que o valha, mas é uma carta que, caso aconteça algo, vocês já saberão o que aconteceu, o que me tirou a pena das mãos, o que me "libertou". E não venham com aquele papinho de "ah, mas suicidas vão pro inferno" porque eu não acredito nisso, não sou ateia (existe esse termo?), mas também não acredito nessa bobagem de céu e inferno. O "algo superior" que existir deve ser alguma forma alienígena com tecnologia/capacidades cognitivas superior à nossa. Ou isso ou as coisas do próprio universo como "tempo" ou "gravidade". Mas nada de deus sentado num trono de nuvens ditando as regras como uma criança mimada jogando the sims.

Enfim, como em tudo nos últimos tempos, me perdi e acabei falando coisas além do objetivo inicial da carta que era uma carta em tom de despedida. Não vou me matar (pelo menos não tão logo, ainda tenho algumas coisas penduradas que gostaria de resolver), mas vou passar a me isolar mais e mais até que não sobre muita coisa ou ligação com as pessoas. E se isso parecer um pedido de socorro abafado por uma doença sem cura. Touchê. Você entendeu o espirito da coisa. Quem quiser vir tentar me ajudar venha, mas venha disposto a ajudar de verdade, ajuda do tipo "fique bem, tão bonita e aí enfurnada num quarto" será rechaçada. No mais, até logo. Ou não.

Atenciosamente,
Helena.

Confissão

terça-feira, 15 de março de 2016

Darling,

Eu quero que você saiba que eu gosto de ficar ao seu lado. Eu não digo, eu faço de conta que tanto faz, mas cada segundo ao seu lado me preenche mais e mais. Nós gostamos de Nutella, de cappuccino e chocolate quente no inverno. Nós gostamos de pisar em folhas secas por causa da textura e do som que elas fazem. Nós gostamos de chocolate de ovomaltine. Nós temos dependência pelas estrelas. Nós gostamos da insanidade e não nos importamos com o que vão pensar. Nós somos uma pessoa dividida em duas.

E na real nós nunca saberemos se eu pareço com você ou você comigo.
Não esquece aquele beijo demorado na bochecha, foi a minha forma discreta de dizer "eu te amo".


Carry On

sábado, 23 de janeiro de 2016

De: Eu <sergiow@mail.com>
Para: Sophia <sophiaavois@tuta.io>
Data: Sab, 23, Jan 2:48
Assunto: Re: Dúvida.



Olá, Sophia.

Primeiramente me permita lhe parabenizar por ter tido a audácia de me enviar esse e-mail.

Por que devo acreditar em uma só palavra do que diz? De verdade, Sophia. Não consigo acreditar em suas palavras de ter realmente gostado de mim. Hoje, depois de três semanas afastado de minhas funções e ter ido passar alguns dias no litoral fluminense repensei muitas coisas e vi como fui otário em acreditar em você.

Algo lhe tirando o foco? Ora. Devo acreditar nisso ou é mais uma de suas mentiras? Quer mesmo saber o quê fez seu castelo de crimes ruir? Quer mesmo saber? A verdade é que você, por mais inteligente que fosse, jamais poderia lidar com algo propriamente humano que é a imprevisibilidade de seus atos.

Não devia, mas vou lhe responder: na sua quinta ação. Aquela que você enrolou o corpo de um homem vivo e o jogou numa piscina velha e o incendiou. Ali tivemos acesso à imagens suas saindo da estrada vicinal que dava acesso para aquela casa. A pessoa viu a notícia de seu ato e, como boa jornalista que é, correu até a polícia. Porém a imagem não era tão perfeita e demoramos algum tempo até chegar ao seu carro. Coloquei uma equipe atrás de duas dúzias de pessoas até me dar conta, por aquele dia em que tentou me dopar em que já tínhamos quase certeza de ser você. Mas você era boa em apagar rastros.

Mas, naquele dia, já tinha tudo esquematizado. Achou que foi sorte o último taxista dar o desconto? Francamente. Excesso de confiança não combina contigo.

E, como deve saber, rastreei esse e-mail sim. Apesar dos inúmeros desvios, sei que está no Centro-Oeste do país. E eu vou te caçar, nem que seja a última coisa que eu faça.

Sérgio W.

ps.: Durma com um olho aberto, eu posso estar por perto.

À Helena

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Olá minha irmã. 

Espero que esta te encontre bem. Tem alguns anos que estou me protelando em lhe escrever essas palavras. Na verdade desde que eu tinha 10 anos e descobri o real motivo de meu pai não voltar todos os dias pra casa. Graças a TV eu soube que existiam homens que traiam suas esposas com outra mulher. Por algum tempo achei que meu pai tinha outra. Até que me caiu a ficha: minha mãe era a outra. Não digo que não passei vergonha na escola na época de dia dos pais por ter uma boa lábia e saber mentir desde cedo. Mas passei alguns apertos. 

Passaram os anos e tudo que consegui foi seu nome e uma foto de quando você era criança, com uns 4 ou 5 anos. Agora deve ter seus vinte anos... nossa, imagino suas burradas e fico querendo te consolar (mesmo que eu não seja assim com ninguém). A verdade, minha irmã, é que a vida foi injusta conosco e eu mal espero a hora de te encontrar e fugirmos para algum lugar distante. Até a próxima carta. 

Com amor, Alice.

Querida Alice,

domingo, 27 de setembro de 2015

Antes de qualquer coisa, me desculpe se esse "querida" soar cliché ou irônico, é que eu não tenho a menor ideia de como começar uma carta. Eu queria que você soubesse que ando angustiada por não poder te ver. Faz falta o som da sua voz e o teu afago. A única coisa em que tenho pensado é em ver de perto o castanho dos teus olhos. Faz falta mexer no teu cabelo, bagunçar tudo e fugir rindo enquanto você corre atrás de mim. Alice, eu me sinto a continuação do livro que você não quis terminar de escrever. Você sabe que burlou as regras do destino e criou seu próprio mundo.
Toda manhã eu acordo, coloco um moletom e saio pra fumar. O primeiro cigarro do dia sempre é o melhor. Em seguida fico sentada, sozinha, pensando em nós. No tempo que perdemos e criando com uma expectativa ardente tudo o que vem pelo futuro. Eu não sei se devo te amar, entretanto creio que isso acontece antes que eu pense em evitar. Eu preciso te encontrar, Ali, eu preciso te levar pra conhecer essa cidade e o mundo todo. Eu preciso ter você por perto. Eu preciso de você, mais que qualquer coisa.
Espero ansiosamente por sua resposta.

Com amor,
Helena.

Requiém de uma tempestade

domingo, 30 de março de 2014

Abri os olhos antes das nove da manhã. Não era o horário que eu acordava frequentemente, mas o sono simplesmente desapareceu. Perdi alguns minutos do meu tempo enrolada nos edredons observando as cores do meu céu. Há tempos meu universo era aquele quarto onde quase tudo era branco e marfim. Sentei na poltrona próxima à janela, abri as persianas, vi que o sol bradava lá fora. Haviam crianças brincando na pracinha em frente ao prédio. Invejei-as. Senti falta de quando a vida ainda tinha sabor de algodão-doce. Senti falta de quando eu ainda conseguia sentir conforto ao ser aquecida pela luz do dia ou deitar na grama dando forma às nuvens no céu.
Eram memórias distantes. Tudo o que eu passei a conhecer era sobre solidão. Descobri que a dor tinha som. Som de choro. Som de chuva. Som de música instrumental, quase como Clair De Lune. Em seus casos mais extremos, eu também poderia dizer que o som da dor se parecia com "Moonlight Sonata" de Beethoven. A tristeza tinha o mistério e profundidade da obra "The Crow" de Van Gogh. Que talvez, sofrer também fosse uma arte das mais masoquistas e sádicas ao mesmo tempo. Descobri que o poeta vive de sua angustia, dela vende e dela mantém-se vivo. E que bela ironia manter-se vivo quando tudo de mais humano em você já morreu! Artistas não fazem sentido tal como nada conhecido na existência faz sentido.
Que é o amor se não as flores jogadas sobre o túmulo de quem já desistiu de si próprio? Que é o amor, se não o último floco de neve quando o inverno acaba? Que é o amor, se não apenas um rastro de esperança mal guardada?
A vida é líquida e corre por entre os vãos dos dedos sem que ninguém perceba.
"Luz! Luz! Mais luz!" e de Goethe, faço essas também minhas palavras. Embora o quarto fosse claro, todo acúmulo de sentimentos me cegava. "Luz", gritava o espírito de Goethe assim como meu espírito grita. Mais luz.

Confusão

domingo, 5 de janeiro de 2014

Olá, como estas?

Talvez essa seja minha última carta
. Hoje o dia foi estranho, as nuvens não sairam do céu e a chuva caiu sem parar. Pensei em você vendo os pingos refletivos na janela imaginei o que estaria fazendo pensei em te ligar, mas estou sem créditos. Claro que eu podia ir até a padaria na esquina e fazer a recarga, mas... deixa assim por enquanto. Enquanto escrevo essas linhas bebi uma garrafa de vinho vagabundo afim de saber como estas. Não fiz minhas resoluções de ano novo por considerar isso um costume um tanto quanto idiota, vou fazer o quê tiver que fazer e pronto. O resto decido no caminho.

Pensar nisso me fez sorrir de canto.Sei que também não gostava muito dessas coisas de planos de ano novo né? Pois é, a única coisa que resolvi pra mim nesse ano é que vou sair e correr mais atrás do que eu realmente quero e pronto. Aposto que pensou o mesmo, viu como eu ainda te conheço o suficiente? E acho que sabe que eu não tenho bem um motivo pra lhe mandar uma carta, já falamos o que tinhamos que falar. Queria entender às vezes porque, quando o assunto é coração, as coisas parecem tão lentas (ou tão rápidas) pra passar. Bem dizem que o tempo é um santo remédio. Acho que essa resposta ninguem nunca vai saber não é? A verdade é que, todo o amor que eu tinha, tenho, merda, não sei, eu... ah, você sabe, acabou se acomodando aqui dentro. Tudo se tranquilizou. Aquelas ondas que vinham pararam, vez por outra vem uma onda de ficar olhando as nuvens. Mas são só lembranças. Vez por outra as estrelas lembram as velhas mensagens nossas. Aposto que faz o mesmo até hoje.

Cuide-se, se precisar, sabe onde me encontrar. Te amo, muito e tanto.

Eu.

Estrela

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Oi, sei que o momento não é o mais oportuno, imagino que não esteja bem com toda essa situação, eu mesmo também não estou. Mas acabei decidindo meio unilateralmente isso. Porém sei que devia desejar isso havia algum tempo... não vou fazer acusações nem nada do tipo. Estou cansado demais pra isso. Só quero te desejar que fique bem. Eu vou sumir por algum tempo. Rodar por aí, buscar novas inspirações, quem sabe me perder mais ainda e, assim, me encontrar.

Não é fácil, e ninguem nunca disse que seria, mas é necessário. Assim como te fiz parar de sofrer por feridas antigas, fizeste o mesmo comigo. Fomos importantes um pro outro assim. Desejamos e nos cuidamos até agora, o momento em que ganhamos alta de nosso tratamento mútuo. Podemos deixar a cadeira de rodas para trás e seguir com nossas próprias pernas. No começo vamos fraquejar, podemos até voltar a cair. Mas... já sabemos como é ficar em pé. Por isso sei que vamos conseguir nos levantar por nós mesmos e seguir adiante.

Espero que se cuide e, mesmo não estando presente, vou deixar uma estrela cuidando de você. Sei que logo vai achar nos olhos de alguem o brilho que deve ter achado nos meus. Claro, não tão brilhante (hahahaha) mas, ainda assim, alguem que irá te cuidar melhor do que eu cuidei. Alguem que não vai cometer as mesmas burradas que cometi, alguem para... amar.

Cuide-se.
~ Eu.

ps.: vire a folha achará a estrela que te prometi.

*verso*


Ao Noel

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Querido papai noel, sei que o natal já passou e que não fui um bom menino nesse ano que passou. Sei que fiz muitas coisas erradas e que, provavelmente, eu não mereça um presente. Claro, eu sei, eu sei, sei que fiz coisas boas também e que, teoricamente, a mente humana só deveria guardar as coisas boas... por que será que isso não acontece comigo? Enfim, acho que esse não é seu departamento não é?

Apesar de não ter sido um bom menino, de não ter feito tantas coisas boas quanto eu poderia, gostaria de pedir um presente... se for possivel, claro. Já não tenho idade pra acreditar em papai noel, mas mesmo assim gostaria que o senhor me trouxesse o que vou pedir. Ok ok, estou me prolongando demais e creio que agora que o natal passou o senhor quer mais é tirar umas boas férias né? Gostaria de pedir que todos os meus amigos tivessem o próximo ano como o melhor ano que já tiveram, que conquistem o que desejam, que fiquem a maior parte do tempo possivel felizes. Espero que o senhor consiga me dar esse presente.

Forte abraço.
Eu.

Saudações da Terra

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Olá ser de outro planeta que não é a Terra. Primeiramente deixe eu me identificar: eu me chamo (ou chamava, não sei quantos anos levaram pra achar essa "arca" com algumas coisas típicas da Terra junto da minha carta) Danilo. A Terra é o terceiro planeta próximo à uma estrela amarela no braço de Órion, que é onde existem três estrelas quase juntas, formando um paralelo. Creio que, mesmo que possam ir até esse planeta agora, não me encontrarão. Não duvido nada que não encontrem mais a raça a que eu pertencia. Os homos sappiens.

Eramos um povo, na essência, até pacífico, a grande parte de todas as pessoas que viveram em nosso querido planeta viveram em harmonia umas com as outras. Umas poucas causaram divergencias entre si e arrastaram multidões até suas guerras sem sentido que acabaram consumindo muitos recursos que hoje, no instante que escrevo essas linhas, já são escassos e se aproximam de um fim eminente. Não sei o quê acontecerá com a humanidade (que é a forma como chamamos o grupo de homo sappiens que dominou o planeta) e com as outras espécies que habitam o planeta.

Enfim... dentro deste baú existem alguns livros, que foi a forma mais importante do homem aperfeiçoar durante a vida, diversos destes livros que estão aqui fizeram parte da minha vida, da forma que eu aprendi a ver o mundo. Um livro de história, um de contos de fadas (no proprio livro verão uma explicação pro que são as fadas), um livro de poesia e mais alguns livros diversos... nenhum de minha autoria.

Coloquei, também, fotos de lugares bonitos, de construções, de obras de arte, da fauna, da flora e dos humanos no seu cotidino. Trabalhando, estudando, comendo, dormindo, amando (no meio dos livros há um dicionário, vão encontrar o significado de "amor" lá... não o total significado, esse só vão encontrar dentro de vocês mesmos)... enfim, vivendo!

Dentro, também encontrarão, algumas formas terráqueas de expressar o que sentem: música. Vão achar desde música que chamavamos de clássica até o que chamavamos de pop. Junto coloquei um aparelho que possibilita ouvir tudo isso, afinal não sei quais são suas tecnologias e formas de expressão.

Apesar de não parecer, nossa cultura foi bastante produtiva, os múitos séculos de evolução em nossas tecnologias me permitiram criar essa arca e manda-la até vocês, estejam aonde estejam. Espero que consigam visitar meu planeta e que ele ainda esteja habitado por humanos... se, no primeiro contato, os humanos parecerem arredios não se preocupem. Essa é a forma que nós encontramos de nos defender do que não conhecemos. Mas insistam, procurem demonstrar que o objetivo de vocês é a paz e o contato entre os povos dos dois planetas.

Atenciosamente,
Danilo, um terráqueo.

Admirador Secreto II

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

          Olá Carolina, sei que andou comentando minha última carta com suas amigas intimas... não gostei disso, mas tudo bem, te entendo! Sei como é a curiosidade coçando, reclamando, querendo desvendar isso o quanto antes. Porém uma pessoa, em especial, não gostei que ficou sabendo das cartas, aquela sua amiga loira, que vive andando em trajes sumários. Francamente Carolina, ela espalhou o comentário da carta por todo o campus!

          Se, quando terminei a carta anterior, meu objetivo era me revelar nessa... pode esquecer. Não saírei da toca tão cedo. Mas, apesar da decepção, saiba que eu ainda te amo e nenhum tipo de comentário maldoso irá atrapalhar nossa história de amor, Carolina!

          A carta que virá após essa, terá algumas pistas sobre mim, aposto que há de se lembrar de mim depois que lê-la! No entanto não quero mais saber de minhas cartas, na mão daquelas suas amigas falsas, não gosto delas. Acho que poderia ter amizades melhores, não? De qualquer forma, sei que logo vamos deixar tudo isso para trás e seguiremos rumo ao nascer do sol!

Com amor, Seu Admirador Secreto.

Admirador Secreto

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

          Olá, Carolina, sei que não me conhece, mas eu lhe conheço muito bem, sei praticamente tudo a seu respeito, sei que horas acorda, que horas sai, que horas toma café, que horas dorme, que horas vai ao banheiro... mas não se assuste, não sou um psicopata ou algo do gênero! Muito pelo contrario... eu sou o que se poderia chamar de admirador secreto. Passo os dias e as noites pensando em você, tudo bem que eu ainda não tive coragem de me revelar e sair aqui de minha penúmbra quase fúnebre.

          Mas um dia eu ainda vou sair daqui e ir ao seu encontro. Vou lhe convidar para saírmos, no passeio vamos dar as mãos e vamos deixar todos os outros casais mortificados de inveja, tamanha será a nossa felicidade estampada em nossos rostos! Ok, eu exagerei, mas, como sei que faz artes cênicas, e que está trabalhando arduamente em um papel em que irá fazer uma linda jovem que sempre consegue sorrir apesar dos pesares, das interperes, acabei me dando ao luxo de colocar uma pequena interpretação. Porém não tenho seu talento.

          Deve estar se perguntando quem sou eu e porque não jogou essa carta no lixo sem lê-la até aqui não é mesmo? Viu como lhe conheço bem, Carolina, sei que sua curiosidade foi maior do que qualquer outra coisa e que agora deve estar se jogando no sofá tentando identificar o estilo de escrever, mas creio que não me reconhecerá. Espero nas próximas cartas revelar quem eu sou, ou... quem sabe bater na sua porta e lhe convidar para sair.

Com amor, Seu Admirador Secreto.