Mostrando postagens com marcador Cartas de Crimes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cartas de Crimes. Mostrar todas as postagens

Vendetta

quarta-feira, 2 de março de 2016

De: sophiaavois@tuta.io
Para: Eu <sergiow@mail.com>
Data: Qua 2, Mar 18:26
Assunto: Sem Título
Anexo: img_0852.jpg




Olá, Sérgio.

Sinceramente eu esperava mais de você. Mais perspicácia, mais educação, mais inteligência ao me responder. Aliás, você nem ao mesmo foi educado a ponto de me responder devidamente e ainda me ameaçou? Cara. Você arrumou a inimiga errada.

Espero que goste da foto que estou te enviando. Não sei se vai dar pra ver, mas essa é pra você. Se no nosso "joguinho" vale ameaçar tome sua resposta:

Eu vou achar sua família e vou acabar com eles. Só por vingança. Sua filha ainda mora no Rio de Janeiro que eu sei, tenho contatos lá e sei como acha-la. Depois vou acabar com a sua raça de uma forma tão lenta que vão haver momentos em que você vai desejar que eu te mate de uma vez por todas... mas eu não vou. Vou te torturar até me cansar, sem pressa alguma, sem ninguém pra nos importunar. E só aí vou te matar. 


Beijinhos,
Sophia

Carry On

sábado, 23 de janeiro de 2016

De: Eu <sergiow@mail.com>
Para: Sophia <sophiaavois@tuta.io>
Data: Sab, 23, Jan 2:48
Assunto: Re: Dúvida.



Olá, Sophia.

Primeiramente me permita lhe parabenizar por ter tido a audácia de me enviar esse e-mail.

Por que devo acreditar em uma só palavra do que diz? De verdade, Sophia. Não consigo acreditar em suas palavras de ter realmente gostado de mim. Hoje, depois de três semanas afastado de minhas funções e ter ido passar alguns dias no litoral fluminense repensei muitas coisas e vi como fui otário em acreditar em você.

Algo lhe tirando o foco? Ora. Devo acreditar nisso ou é mais uma de suas mentiras? Quer mesmo saber o quê fez seu castelo de crimes ruir? Quer mesmo saber? A verdade é que você, por mais inteligente que fosse, jamais poderia lidar com algo propriamente humano que é a imprevisibilidade de seus atos.

Não devia, mas vou lhe responder: na sua quinta ação. Aquela que você enrolou o corpo de um homem vivo e o jogou numa piscina velha e o incendiou. Ali tivemos acesso à imagens suas saindo da estrada vicinal que dava acesso para aquela casa. A pessoa viu a notícia de seu ato e, como boa jornalista que é, correu até a polícia. Porém a imagem não era tão perfeita e demoramos algum tempo até chegar ao seu carro. Coloquei uma equipe atrás de duas dúzias de pessoas até me dar conta, por aquele dia em que tentou me dopar em que já tínhamos quase certeza de ser você. Mas você era boa em apagar rastros.

Mas, naquele dia, já tinha tudo esquematizado. Achou que foi sorte o último taxista dar o desconto? Francamente. Excesso de confiança não combina contigo.

E, como deve saber, rastreei esse e-mail sim. Apesar dos inúmeros desvios, sei que está no Centro-Oeste do país. E eu vou te caçar, nem que seja a última coisa que eu faça.

Sérgio W.

ps.: Durma com um olho aberto, eu posso estar por perto.

Da Estrada

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

De: sophiaavois@tuta.io
Para: Eu <sergiow@mail.com>
Data: Sex 1, Jan 19:28
Assunto: Dúvida.



Olá Sérgio, tudo bem?

Espero que não esteja machucado por causa do golpe de nosso último encontro. Lhe envio essa mensagem com uma dúvida que não me deixou recobrar o foco desde que fui embora.

Não que vá acreditar, mas eu realmente gostei de você, do seu brilho no olhar... lamento tudo ter acabado como acabou.

Poderia escrever mil coisas, contar histórias, mas creio que, no momento atual, não iria acreditar em nada do que lhe falasse. Porém, podes, em nome do tempo que passamos juntos, me dizer onde, quando, em que momento eu pisei na bola. De verdade. Eu revejo todos os meus atos e não consigo imaginar o momento exato onde deixei transparecer que eu era a culpada dos "crimes" que você investigava.

Aguardo, ansiosamente, sua resposta.

Atenciosamente,
Soph

ps.: não perca tempo tentando rastrear esse e-mail. Vai ser inútil.

-------- 

Psicose

terça-feira, 13 de maio de 2014

Chá de camomila. Pode soar estranho, mas é a minha maior nostalgia. Meus silêncios e gritos acabavam sempre em uma xícara de chá de camomila.
Tomava o chá aos poucos observando a fumaça que saía da xícara pelo líquido que ainda era extremamente quente. Espiei a rua pela janela, havia névoa e garoa. Peguei um cigarro. O frio era de sacudir os ossos. Tudo aquilo parecia exatamente parte de mim. Não importa o quanto aquele clima me fazia tossir, o frio era confortável. A bebida era confortável, tudo se encaixava ao que sou.

Por um instante questionei minha existência. Questionei como duas personalidades totalmente distintas podiam dividir o mesmo corpo. As vezes meu coração era tão quente quanto o que chá queimava a minha boca a cada gole. Entretanto minhas atitudes eram como a garoa fina e gelada lá fora. Incômoda, quase imprevisível, indiferente.
Apoiei-me na janela para fumar. Tossi. Maldito hábito. Era sinal de que meus pulmões já não eram os mesmos. Vinte e cinco anos e meu organismo já era mais estragado do que o dos meus avós.

Pensei em meus avós. Como eles reagiriam se soubessem quem eu realmente sou? Como agiram se soubessem que a neta pós-graduada e com pinta de boa moça, no fundo era uma bandida que nunca se importara cima nada?
Lembrei do meu último crime. A vítima não conseguia fechar os olhos, eu havia feito cortes que o impossibilitavam de fechar os olhos. Era um cômodo totalmente espelhado, ele assistiu passo a passo de sua tortura e viu a morte caminhar lentamente em sua direção. Traguei o cigarro, segurei a fumaça nos pulmões e soltei devagar. Antes que a culpa tentasse invadir minha mente, lembrei que aquele homem havia abusado de mais garotas que posso contar. Cortei seu membro principal, sua "ferramenta de trabalho" aos poucos para que ele tivesse tempo de sentir o que fizera. De sentir como é estar vivo e se ver morrendo aos poucos sem conseguir fazer nada. Talvez daquela forma ele compreendesse quantas pessoas ele havia matado embora os corações ainda batessem, o resto tinha morrido. Fui uma delas. Não achei nada mais justo do que mante-lo preso sentindo cada gota de seu sangue escorrer.
Outro gole de chá. Lembrei então do golpe que eu havia dado no restaurante mais caro da cidade. Lembrança que me fez abrir um sorriso sarcastico. Se não fosse pela mente que tenho, seria feliz. Eu acho. O que é ser feliz? Deve ser coisa de gente normal. E definitivamente, eu nunca fui.
Busquei naquele chá a calmaria que minha cabeça buscava. O tão precioso silêncio mental. Monstros descansam? Eu espero que sim.

E sem perceber, dormi deixando a carta sem conclusão, como tudo o que faço: só tem sentido pra mim.

Sinfonia silenciosa

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Aquela noite provavelmente fora a melhor e mais bonita desde que nos conhecíamos por gente. Eu devo ter dito que a amava umas cinquenta e cinco vezes em menos de uma hora. Em cada gesto, a cada toque, eu só queria mostrar o quanto a amava. Eu quis dar a ela o dia mais perfeito do mundo - levando em consideração que ela sempre dizia que a perfeição é utópica - a levei para tomar sorvete em seu parque favorito. Deitamos na grama úmida e sentimos o cheiro da chuva, da terra, da vida. Ela costumava dizer que a vida tem cheiro, sabor e cor. Era a minha maluca. Eu lembro de quando a via chorar, todos os dias. Seus olhos pareciam o céu quando anuncia tempestade, me paralisavam, me encantavam, me prendiam mesmo me fazendo querer fugir. Ela me tinha em suas mãos. Quando ela se esvaía em lágrimas, minha vontade era tirar toda aquela dor de sua alma. Sugar até a última gota de sofrimento. Ah, se eu pudesse contar quantas vezes já quis morrer para não vê-la daquela forma! Tentamos tudo o que era possível. Ela tentou, eu sei que tentou ficar bem. Sua depressão era crônica e tudo e seu único sonhou passou a ser morrer. Ela me dizia que estava bem, sorria, mas eu sabia que era mentira. Eu sabia que por trás daquele sorriso, haviam cicatrizes. Eu sabia que ela ainda lamentava existir. Eu sentia o choro preso em sua risada descontrolada, parecia querer explodir e eu torcia pra que isso acontecesse, porque no fundo eu acreditava que se ela colocasse pra fora, tudo melhoraria.


Eu errei.

A dor nunca mudou, ela aprendeu a esconder cada vez melhor, apenas. Era a minha atriz favorita, embora eu odiasse seu personagem. Eu odiava aquela forma como ela lidava com a vida, como se gostasse das coisas, como se entendesse de tudo, como se tivesse o controle daquilo que diariamente a surrava e deixava-a quebrada sangrando em um canto do quarto. Odiei tanto sua dor que decidi acabar com ela. Chamei-a para sair a noite, depois do parque. Tomamos o drink favorito dela: Blue sky. Sky. Céu. Supostamente, sua futura casa. Sempre achei que ela tinha vocação pra anjo, que de alguma forma ela não pertencia a esse lugar. Esse mundo é desgraçado demais pra ela, que mesmo cheia de marra, por dentro é uma menina que acorda todas as manhãs com o entusiasmo da criança que saboreia um algodão-doce enquanto desce o escorregador, e vai dormir todas as noites com as marcas de quem foi chicoteado até que não aguentasse mais. Com a desesperança de quem viu tudo ir embora.
Naquela noite, ela iria embora.
 Levei-a para casa. Entreguei-me completamente. Fiz promessas, ela amava promessas, ela amava sonhar. Ela amava a ideia de talvez existir um "talvez". Ela amava tudo que a tirava daqui. Ao escrever essa carta, lembro de seus dedos me tocarem o rosto, os lábios, lembro de seus olhos pairarem sobre mim com um olhar infantil enquanto ela dizia: "você é a única coisa me manter viva, se não fosse por você, eu gostaria de partir, não sei lidar com mais nada." Limpei a lágrima que ousou cair. Segurei o choro. Beijei seus lábios de uma forma tão eterna que eu não poderia lhe dizer por quantos minutos aquele beijo se estendeu. Eu não seria mais o motivo dela de continuar suportando tanta dor. Ela merecia descanso. E dormiu em meus braços. Ao dormir, toquei seu rosto com ternura, ela suspirou pela última vez quando pressionei um travesseiro contra seu rosto. Os instintos humanos de sobrevivência a fizeram se debater um pouco enquanto eu chorava dizendo que a amava, ela perdeu o fôlego e serenamente partiu. Abracei seu corpo ainda aquecido enquanto minhas lágrimas se espalhavam por toda aquela matéria que agora era sem vida. A dor veio junto do alívio de salvar a minha pequena de tanto desespero. Só eu sabia pelo que ela passava.
 Hoje não há um único dia no qual eu não me lembre dela. Todos os instantes, seus conselhos, críticas e filosofias malucas se fazem presente.

Ainda me questiono se ela foi real, ou se foi sonho.
Todavia, não conheço outra coisa sobre o amor além de tudo o que ela me mostrou. Dessa forma construí o nosso "pra sempre": na morte.

Astronauta de Mármore 2

domingo, 9 de dezembro de 2012

Mãe, espero que a senhora me perdoe, mas hoje eu pequei. Não sei se tenho mais salvação, todos os dias alguem aparecia com os "bang" pra nós aqui nesse buraco. Porém nos últimos dias pararam de trazer, não sei quem trazia, só sei que era bom, era cômodo, era até, prático. Podia jurar que vinha praticamente por mágica. Téo era quem trazia. Não me importava como, mas ele trazia para todos nós aqui embaixo. Só que ontem ele não conseguiu e me pediu ajuda pra conseguirmos mais, quem sabe até trocar esse buraco malcheiroso por um lugar mais limpo. Ontem, durante o efeito, eu vi algumas ratazanas comendo o pé de um colega de buraco. Não sei se isso foi minha imaginação ou aconteceu mesmo.

Assim que saí meus olhos arderam. Estava algumas semanas longe da luz do sol. Téo me entregou um embrulho e disse que eu só precisava mostrar pra pessoa e pedir o dinheiro que me dariam. Como eu estava praticamente neurótica sem aquilo em mim eu topei sem hesitar. Saí andando apressada, quanto antes eu fizesse o serviço antes eu teria a droga. Abri o embrulho... era uma faca dessas de cozinha toda enferrujada. Fiz o que Téo disse. Roubei a carteira e o celular de uma menina que não deve ter mais de 20 anos. Na hora me senti triunfante, vitóriosa, comprei e troquei tudo por elas. Em meia hora eu estava em um beco. Perfeito. Me senti o máximo sabia? Eu podia fazer tudo, era só balançar aquela faca na frente e pedir que me dariam o dinheiro!

Mas agora... agora que o efeito passou eu passei a me sentir terrivel. Como eu pude? Não sei quem é a pessoa que roubei, não olhei nem o rosto dela, não sei se era loira, morena, baixinha, alta, nem mesmo posso dizer se ela era menina ou idosa. Só sei que era mulher pela voz fina, irritante, dizendo "calma, não me mate...". Mãe, vem me salvar? Me tira daqui por favor. Nem que tenha que me matar, mas não quero mais fazer isso. Lá vem o Téo... é hora.

Aos Policiais IV - Epílogo

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Olá Margery, como está?

Fico feliz que tenha conseguido me encontrar a tempo. Creio que mais alguns segundos e todo aquele gás teria preenchido o ambiente, fatalmente, me matado. Não soltei o doce aroma da morte para me punir pelo que fiz, uma especie de redenção. Não... longe disso. Quando vi aqueles de olhos de Emilly fui tirado da minha tranquilidade, da paz de meus atos, aqueles olhos me inquietaram, me trouxeram a tona um reflexo de outros olhos repressores, sim, os teus olhos, Margery, reprimindo meus atos, reprimindo minha conduta, meu modo, meu jeito. E quem sou eu para ir contra aqueles olhos? Aquele tom de voz? Aquela forma de se mover? Decididamente eu sou refém de olhos como aqueles...

Peço-lhe que poupe os psicologos, analistas e todos os profissionais dessa área de virem até minha cela. Não tive motivação na infancia traumática. Não tive desilusões amorosas. Na verdade não tenho nada que justifique meus atos. Apenas queria sentir o gosto de ceifar a vida de alguém. Sem nenhum porém ou qualquer coisa que o valha. No entanto, lhe digo para não mostrar essa carta à ninguem. Não estou disposto a ser imitado por qualquer doente mental.

Lamento apenas uma coisa: não ter recebido um último abraço teu. Uma última demonstração de carinho. Triste esse final, não é algo que eu tenha planejado. Porém nem tudo sai como planejado todos os momentos, não concorda? Assim como aquela despedida não teve flores e abraços, decidi que esta também não teria. Faço votos para que se cuide, seu futuro é brilhante e extremamente promissor onde quer e com quem que esteja.

Com amor, seu pai,
Anthony.

Aos Policiais III - Final

terça-feira, 22 de maio de 2012

Olá senhores policiais. Não vou perguntar como estão, sei que agora estão bem. Agora que Emilly está em segurança dentro dos seus dominios. Claro, de praxe encaminharam-na para um hospital afim de fazer nela inumeros exames, compreendo os senhores. Mas digo que não é necessário, devolvam à ela o convivio com seus familiares o quanto antes, creio que esta experiência lhe foi traumática ao extremo e isso a fará passar por terapias por anos. Porém melhor assim não?!

Devem agradecer à essa jovem de cabelos rubros por esta carta chegar às suas mãos com ela ainda respirando. Vou lhes contar o objetivo inicial: sim, era mata-la. Da pior forma possivel, a deixaria sangrar por algum tempo, ver toda a pele dela esbranquiçar... no entanto não fui capaz quando vi nos olhos dela algo que só tinha visto nos seus, Margery, ela não demonstrava medo, pelo contrário, demonstrava uma... fúria talvez? Não, era algo mais sublime, mais... mágico! Os olhos dela desafiavam-me a fazer o que eu planejava. Nesse instante a adaga caiu de minha mão fazendo o barulho de um metal quando toca o chão descendo de altura maior que um metro.

O instante seguinte foi como se eu acordasse de um sono muito grande. Não, não me arrependo do que fiz. E não, não fiz absolutamente nada fora de mim, em um estado de insanidade temporário. Lamento aos senhores advogados se pretendiam alegar insanidade, tudo que fiz, fiz completamente dentro de minhas faculdades mentais normais. Desisti dela. Os olhos dela me pararam. Será ela um sinal? Margery... será?

Quando aproximei o pano com formol do rosto de Emilly ela me questionou o porque daquilo. Disse que precisava de um instante a sós comigo mesmo. Disse-me que se fosse para morrer, queria que fosse olhando nos olhos do seu assassino. Afaguei-lhe os cabelos, não a mataria. Pedi desculpas e coloquei o pano sobre seu nariz e boca. Ela não relutou, apenas as palpebras pesaram e ela adormeceu, serena e a respiração ficou calma. Só a vendo assim é que consegui escrever esta carta.

Peço-lhes que não a interroguem. O retrato falado dela não é importante. Após essa carta Margery já saberás quem sou. Aliás, desde a última carta ela já sabe, apenas não tinha confirmação. Agora tens Margery. Estou lhe esperando, venha me buscar. Espero que chegue a tempo de me pegar. Torço para que consiga.

Até, espero, breve.
Sem assinatura, pois Margery, ao fim destas linhas, saberá que sou eu, e só isso importa.


ps.: encerro assim essa pequena trilogia, não haverão mais mortes, não da minha parte, creio que alguns imitadores poderão surgir, mas os pegarão logo. Confio nesse departamento de policia e nos seus competentes integrantes.

Aos Policiais II

sábado, 19 de maio de 2012

Olá, novamente, senhores policiais, como vão?

Primeiramente me perdoem pela última carta que deixei, sobre Ania. Depois que acharam-na eu não consegui me consolar por não ter me identificado. Prometo que, ao fim desta, eu assinarei. Deixem-me falar de Chirstine, não que eu seja desse tipo de pessoa, mas ela merecia o fim que teve. Não desta forma abrupta. Mas merecia. Por que? Elementar meus caros policiais. Ela cometeu diversos crimes que virão a tona quando a morte dela ser conhecida por todos. Minha sugestão é que comecem a investigar a apartamento dela, sobretudo o quarto, creio que acharão algumas coisas realmente intrigantes no lado esquerdo, ao pé da cama. Porém não fiz o que fiz afim de fazer justiça com minhas proprias mãos. Longe disso, escolhi Christine no mesmo acaso que escolhi Ania.

Novamente lhes digo para não gastarem os preciosos recursos do departamento com exames de estupro, não fiz isso a primeira vez, não o farei agora. Lhes conto detalhe por detalhe, estragando assim a diversão dos senhores peritos: como bem sabem Christine mora em um edificio antigo, muitas pessoas de idade moram ali, portanto os corredores, elevadores e portas foram adaptados para cadeiras de rodas, muletas e, assim, melhorar a assessibilidade de seus moradores. No entanto creio que não se interessam pela arquitetura do prédio, não é mesmo? Porém esta pequena explicação era necessária, tendo em vista o meu modus operandi compreenderão o motivo mais adiante.

Christine morava no sexto andar, para traze-la até aqui eu precisaria dopa-la. Porém como arrastar uma pessoa pelo hall de entrada do prédio sem chamar a atenção? Quando a peguei de surpresa na entrada do apartamento fiquei com essa dúvida por quase uma hora. Foi quando notei que haviam muitos enfermeiros que entravam e saíam dos vários apartamentos em intervalos regulares. Deste instante em diante só necessitei de uma cadeira de rodas e um jaleco branco, cobri o rosto de Christine a colocando na cadeira... o porteiro foi até gentil em me abrir a porta de saída, ofereceu ajuda para leva-la até a ambulância... será que tenho rosto tão bondoso assim? Provavelmente meu disfarce enganou o simpatico porteiro. Creio que interroga-lo não trará nada novo à investigação.

No instante que saí do prédio sem nenhum problema me senti vitórioso. Devo dizer, sem falsa modéstia que fiquei um pouco convencido de minhas capacidades depois de tal fato. Porém logo me acalmei e trouxe Christine até aqui. A amarrei e esperei pacientemente que ela acordasse. A forma que ela olhou em meus olhos, o medo estampado naqueles olhos era algo incrivel, e eu era o gerador do medo nela. A acalmei. Quando senti que ela estava mais calma lhe soltei uma das mãos - a direita. Percebi alguns segundos depois que não deveria ter feito isso. Pois ela veio direto à minha pele me causando um arranhão. Espero que eu tenha conseguido lavar as mãos dela afim de tirar qualquer pista da minha pessoa que possa ter ficado nas unhas dela.

Creio que não há necessidade de me ater aos detalhes, da forma que a luz, o medo se apagou nos olhos dela. Pude ver segundo por segundo, em Ania não pude ter esse gosto, os olhos dela se reviraram e se fecharam, com Christine foi diferente, eu colei as palpebras dela abertas, assim pude vê-la virar os olhos tentando desesperadamente fecha-los. Fui cruel, admito, mas eu queria ter essa sensação. Queria ver como é o fim de perto nas retinas de alguem. De certa forma devo agrader à Christine em me dar tal sensação. Claro que, assim que tudo se apagou nela, não fui insensivel ao ponto de deixa-la de olhos abertos. Os fechei e fiquei admirando-a um instante a mais. Obviamente ela não merecia tal contemplação pós-morte, mas fiquei tentado em faze-la... Assim lhes entrego a segunda carta. Na próxima espero não me demorar tanto na descrição da vitma e de como agi, ocorreu que nesta eu precisava desabafar com alguem, me vangloriar com alguem. E, que bom que é com os senhores, senhores policiais.

Margery, peço que não fique chateada. Também fiquei triste quando soube que lhe retiraram das investigações, porém não vejo motivo para tal ato, temeram por sua segurança... eu jamais lhe atacaria, não tenho planos de que sejas minha vitma. Mesmo que eu escolha as vitmas aleatóriamente, no hipotético caso de ser você eu, sem hesitar, iria para o nome seguinte. Senhor delegado, por gentileza coloque Margery de volta nas investigações, sim? Ela estava com progressos que devo dizer serem interessantes demais para descarta-la assim.

Agora, confome o prometito no inicio desta carta, lhes direi quem sou, no entanto me resguardarei em dizer meus motivos. Pensem bem, já ofereci diversas informações sobre quem sou. Afinal, quem mais conseguiria informações que compartilhei com os senhores nos paragrafos anteriores? Creio que agora estão pensando que sou algum policial, alguem ligado às investigações... não. Não sou. Também não sou nenhum jornalista.

Enfim, creio que me prolonguei demais nesta carta. Até breve, senhores policiais e senhorita Margery - que espero que esteja reintegrada à investigação até a próxima carta. Cuidem-se, nos vemos em breve.

Edgar A. P.

aos policiais I

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Olá senhores policiais, espero que esta carta vós encontre bem. Ah sim, transmitam minha mais sincera saudação àquela jovem policial loira que achou meu ultimo trabalho. Como ela chama? Margery não é? Bonito nome, caso um dia eu venha a ter uma filha darei o nome dela. Muito sonoro, muito significativo. Enfim, sem devaneios vamos ao que interessa.

Espero que tenham encontrado Ania não muito tarde, afinal, odiaria ver a familia dela velando um corpo já em estágio de decomposição avançado, seria tão desagradável, tanto à familia quanto aos agentes funerários que irão embalsamar o, belo, corpo dela. Porém se meus calculos estiverem certos encontraram ela após sete ou oito dias do sumiço dela. Como ela só sucumbiu ao fim do sexto dia, deve estar com a pele fresca, um pouco pálida por tamanha perda de sangue, mas ainda assim manteve sua aparência normal à todos antes de desaparecer.

Permitam-me lhes contar um fato incrivel: Ania era uma moça incrivelmente forte e determinada à escapar de meus dominios. No entanto, como podem ver, não há muito para se ir daqui certo? Mas, por via das dúvidas eu engessei as pernas dela. Assim ela não pode correr. Receio que os peritos olham com estranheza para aquele fragmento branco na perna, é gesso cirurgico, igual aquele de quando nossos filhos quebram braços, pernas em suas traquinagens rotineiras. Peço que não gastem preciosos recursos da corporação fazendo exames de estupro, jamais estupraria alguem. Sei que farão o teste assim mesmo, mas volto a frisar: é recurso do cidadão jogado fora. Acreditem em mim. Ou não. Até a próxima senhores policiais, até breve, Margery.