Ouro — Parte 2
segunda-feira, 8 de abril de 2019
Postado por ~ Lu ~ às 23:00O bilhete no teu travesseiro
quinta-feira, 13 de abril de 2017
Postado por Amelie às 08:18Você dorme e eu te olho com uma vontade absurda de ter você, de sentir sua boca encostada no meu ouvido, de me juntar contigo assim sem avisar, mas penso que talvez isso fosse dado como quebra de contrato. Temos as nossas leis, vamos ao início. Coloquei meu coração na caixinha junto com a aliança e ele ficou lá, guardadinho. Te olho e te quero mesmo sem hoje ter muita certeza de quem você é, de quem eu sou, do que somos. Só quero. Sabe bem que sou assim. As vezes vou fazer manha e rolar pro lado esquerdo da cama só pra ver você se empurrar pra perto e me puxar de volta pela cintura. Pra sentir esse seu "vem cá ou eu te puxo pra mim". Precisa ser assim, as vezes você precisa me puxar, a maioria delas, mas eu vou.
Eu sempre vou.
Penteadeira
domingo, 23 de outubro de 2016
Postado por ~ Lu ~ às 20:42O que você precisa saber
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Postado por Amelie às 16:59E eu continuarei te escolhendo por hoje e por amanhã.
Com amor,
tua.
Confissão
terça-feira, 15 de março de 2016
Postado por Amelie às 00:29Eu quero que você saiba que eu gosto de ficar ao seu lado. Eu não digo, eu faço de conta que tanto faz, mas cada segundo ao seu lado me preenche mais e mais. Nós gostamos de Nutella, de cappuccino e chocolate quente no inverno. Nós gostamos de pisar em folhas secas por causa da textura e do som que elas fazem. Nós gostamos de chocolate de ovomaltine. Nós temos dependência pelas estrelas. Nós gostamos da insanidade e não nos importamos com o que vão pensar. Nós somos uma pessoa dividida em duas.
E na real nós nunca saberemos se eu pareço com você ou você comigo.
Não esquece aquele beijo demorado na bochecha, foi a minha forma discreta de dizer "eu te amo".
À ninguém
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Postado por Jéssica às 21:55Me interrompo quando passo roupas que não passo. Quando me olho no espelho e não me compreendo. Quando me invadem os pensamentos que já me ausentaram. Me interrompo quando vejo o invisível e não o compreendo. Me interrompo quando me espanto. E me espanto. Sou assim mesmo: espantada e espantosa.
Mas também há em mim certa coragem que me impulsiona muitas vezes à lugar nenhum. Mas me agrado porque o lugar nenhum também é algum lugar.
Admiro as forças que falam e que movem. O espanto é uma força que faz mover ou faz estatizar. Pouco fico estática, geralmente me movo. O espanto é assim, assustador, porque é potente em travar. Não gosto de travas. Nada que prenda o riso o choro a poesia. Porque só se levanta quando cai. Mas de tanto cair a gente se segura, eu sei. Segura-se forte para que não caia. É legítimo: segure-se! A força que existe em nós é nossa e nos move e dá força pra se segurar.
Tanta graça há na vida que nunca estamos sozinhos. Ah, a solidão. Às vezes só na multidão e na multidão só. De fato estamos sozinhos. Paradoxo complexo e insatisfatório. Ou satisfatório, tanto faz.
Quem teme a solidão não merece ter companhia. Porque se não suporta estar apenas consigo mesmo não consegue ter o outro. Quem teme a companhia não merece ter solidão. Porque não suporta o outro e pouco deve se suportar.
Logo que me veio a vontade de escrever essa carta que diz respeito sobre o nada - como já disse - cogitei tratar-se de uma carta de amor. Se eu houvesse prometido isso, você provavelmente estaria se perguntando onde está o amor aqui. Mas te digo mesmo que eu não tenha prometido e que você não tenha se perguntado: o amor está em tudo por aqui. Sendo assim, a carta poderia dizer respeito ao amor. Mas limitaria a carta - talvez - e talvez também limitasse o amor.
O amor está em tudo, até no nada. E ao direcionar a carta à ninguém, ela pode se direcionar à qualquer um. Apesar de que não sei se devo afirmar isso (já afirmei) porque generalizar demais às vezes é mau. Quem fala muito geralmente não diz nada. Mas concordo que o nada é algo.
E direcionando a carta a ninguém direciono a mim.
Pensando bem, essa carta poderia chamar-se de algo genial que pensei e ao mesmo tempo que pensei esqueci.
(Nem sempre é bom tomar conhecimento de um pensamento).
Corrosivo
sexta-feira, 27 de março de 2015
Postado por Amelie às 00:05O que você faria se soubesse toda a verdade? Se soubesse um dia sonhei que seu veneno se juntava ao meu, o que diria? O que faria se um dia eu resolvesse te contar que por trás de cada ofensa no fundo quero dizer "MEU amor"? O que você faria se soubesse que quando eu me afasto, quando grito, quando sou rude na verdade é só medo de lidar com tudo? Você sabe o quanto tudo me assusta. Você sabe melhor do que eu.
Qual seria a sua reação se eu te dissesse que os seus olhos atraem os meus e me prendem a você? Não quero gastar o meu tempo ao seu lado, não quero ficar tão perto, não quero nem por um segundo confessar que você é tudo o que eu tenho de mais bonito. Não quero te contar que não sei medir o que sinto e diante de tudo isso, acho que nem preciso dizer o que realmente existe por trás de cada "te odeio", não é?
Então te odeio, te odeio muito. Te odeio tanto que até dói. Te odeio de uma forma que dói te ver indo embora, sempre. Te odeio a ponto de ficar triste por saber que você não me odeia de volta. Te odeio, com todas as minhas forças, eu odeio você.
E só para que você saiba: esse ódio todo me consome, dia após dia. E a culpa? É toda NOSSA!
Eduarda,
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Postado por Jéssica às 21:30Não sei descrever isso que estou sentindo agora. Queria que você pudesse me ver. Eduarda, você deveria saber que eu nunca poderia ser capaz de te odiar. Nem quando você me disse aquelas coisas tão terríveis eu te odiei. As coisas só não fizeram sentido.
Eu queria passar a vida do seu lado, não entendi como isso podia ser tão assustador pra você. E agora tudo faz sentido. Fico triste em saber que não estive do seu lado por esse tempo, você foi sempre tão forte e tão teimosa. Sua força sempre foi algo que eu admirei. E sua teimosia algo que eu detestei, e é justamente isso o que me irrita agora.
Duda, você fez tudo errado, meu amor. Eu queria estar com você nessa hora. Teria vivido os cinco anos mais felizes se tivesse vivido com você. Eu nem sei dizer como minha vida poderia estar diferente agora... Eu não queria que você tivesse passado por isso tudo sozinha.
Eu preciso dizer que nunca acreditei naquelas coisas que você disse... Foi um dia miserável aquele que era o mais importante da minha vida. Eu me senti o homem mais idiota e vazio. Cheguei em casa naquele dia e tomei um porre. Passei o mês inteiro tentando encontrar justificativa pra tudo. Tentei te procurar tantas vezes e quando você só me deu silêncio como resposta, eu desisti. Tinha meu orgulho e achava que você realmente não me queria mais. Eu via nos seus olhos o quanto me amava, mas preferi acreditar no que sua boca me dizia.
Hoje vejo o quanto fui tolo. Mas o que fazer? Eu não tinha o direito de quebrar o teu silêncio e invadir o teu espaço. Por isso me calei.
Passei meses e até os anos seguintes considerando uma visita sua, e confesso que a visita da tua mãe me pegou de surpresa. Cinco anos se passaram e eu não esperava mais nada, menos ainda a visita da sua mãe. Foi só vê-la pra saber que algo estava mal. E tudo estava mal. Peguei os embrulhos dela que estava com os olhos vermelhos, dei um abraço e ela só pediu que eu lesse tudo e a procurasse no final.
Na mesma hora subi pro apartamento e abri a primeira carta, a que estava separada das demais. Só consegui ler ela. E a minha vida nunca mais foi a mesma depois dali. Precisei de um tempo pra conter a emoção de sentir teu cheiro, de reviver todos os dois anos em segundos. De aceitar teu fim tão trágico. E o meu recomeço, já que eu tinha um filho e nunca tinha sido pai.
Eu não sei dizer, Eduarda, como estava a minha vida. Eu a vivia da maneira que achava bem. Saía com os amigos, alguns relacionamentos, nada sério. Emprego, casa. Rotina. Meio vazia, mas confortável.
Sua carta me arrancou um pedaço, mas também me permitiu recomeçar.
Obrigada por mesmo tarde ter me respondido... Eu ainda não li as demais cartas, essas que você passou escrevendo sem me enviar. E não sei quando vou ler, mas pretendo demorar bastante, quero de alguma forma fazer esses momentos durarem. Eu nem sei se estou pronto pra isso.
Eu não estava pronto pra aceitar o seu fim, mas é assim que são as coisas, não é? A vida é assim.
Quando tive coragem de sair quando terminei de ler a carta, tomei um banho e fui atrás da sua mãe. Ajudei a ela com as coisas que precisavam ser resolvidas... Fiz as coisas meio que mecanicamente. Tive a ajuda do nosso amigo João. Não tinha cabeça pra nada.
Até quando as coisas são terríveis, você consegue me surpreender... No meio dessa tristeza toda, ter visto aqueles olhos do moleque... Samuel, você o chamou, como é lindo. Ele tem teus olhos e o meu sorriso. Como pode ele ser tão a nossa cara assim? Quero ser o melhor pai do mundo. Queria tanto que tu pudesse ver tudo isso, Duda. Queria tanto que tudo tivesse sido diferente...
As coisas estão tão novas agora. A minha vida não está vazia mais. Você faz falta, como sempre fez, mas parece que alguma coisa nos liga agora. E eu tenho certeza que vem do Samuel. Parece que você está aqui o tempo todo, Eduarda. E fique, por favor.
Existem coisas que não couberam aqui. O meu amor não cabe aqui. Eu queria te enviar uma carta pra contar cada detalhe do nosso filho, queria te descrever exatamente cada sentimento que tenho, cada pedaço de mim deseja você inteira, mas eu sei que agora, de onde você tá, com certeza não precisa de nenhuma descrição... Eu vou encerrar isso aqui.
Espero ser um bom pai e que você me aprove.
Eduarda... eu queria te dizer mais uma vez: eu te amo.
Há uma luz que nunca se apaga
domingo, 9 de novembro de 2014
Postado por Amelie às 00:17Não sei como te chamar, não quero usar teu nome aqui porque eu nunca te chamei pelo teu nome. Em contrapartida já não me sinto íntima pra te chamar pelo apelido.
Uma das piores coisas em ver alguém partir é não saber quando esse alguém vai voltar e se ele vai voltar. Já ficou clichê sentir sua falta. Eu perdi as contas de quantas pessoas já me ouviram falar a seu respeito, mas nunca é suficiente. Eu falo de você como se em algum momento essa coisa aqui dentro fosse passar, mas nunca passa. Falo de você como se falar fosse te trazer de volta, mas nunca traz. Não vai trazer. Sabemos que essa é mais uma carta que você nem vai ler, mas como esse fiapo de esperança estúpida dentro de mim nunca morre, continuo a escrever.
Acontece que sempre me vejo tanto em você! É aquela coisa saudosista de dizer que você é a continuação do que eu sou ou vice-versa. Não tenho mais tempo pra saudosismo, eu sei. E você não tem mais paciência, eu sei. Sabemos. Essa é a última vez, prometo. (E provavelmente essa é uma daquelas promessas que vou quebrar sem nem protelar.)
Desculpa por ser tão clichê, mais uma vez. Sei que não gosta. Desculpa por não estar usando xadrez, eu sei o quanto você gosta. Desculpa por entupir os salgados de ketchup, sei que você olha com cara feia mesmo dizendo que "gosta de ketchup", você nunca coloca em nada e torce o nariz se colocarem no seu lanche!
Desculpa por nunca mais ter devolvido seu CD favorito. É que manter isso aqui é como manter parte sua comigo.
Nesse momento você deve estar tomando absinto português e vendo coisas que nem existem - ou talvez existam em uma outra dimensão -, isso se não estiver tocando baixo, o que também é provável. Mas se estiver bebendo, sei que exatamente daqui uma hora você vai sentir vontade de voar, vai chorar. Vai chorar muito. Eu me pergunto pra quem você liga agora quando chora. Me pergunto se encontrou outra pessoa pra segurar tua mão e voar sem direção. Desculpa por desejar tanto que você não tenha ninguém agora já que não está aqui comigo. Não aprendi a te dividir, não aprendi a deixar ir aquilo que nunca me pertenceu. É que aquele dia você me beijou e eu esqueci de todo o resto do mundo. Eu decorei os teus lábios. Céus! EU DECOREI OS TEUS LÁBIOS. Isso me faz sentir mais louca do que o comum. A diferença é que quando você estava aqui comigo, eu nunca era louca. Aquilo era convicto.
Quão patético é chorar ouvindo The Smiths e lembrar do seu abraço? Como me desfaço disso? Você me prometeu cinquenta anos de conversas intermináveis e hoje não responde nem a um "oi" meu.
Eu nem ia escrever essa carta. É que eu vi uma pessoa devorando um sanduíche naquela lanchonete que frequentávamos e era exatamente o seu jeito de mastigar as coisas. Era engraçado. Eu resolvi escrever isso porque me fizeram uma pergunta, eu fiquei tímida e mudei de assunto imediatamente. Eu fiz aquilo que você fazia de ficar um seis segundos em silêncio olhando pra baixo e mudar de assunto, ainda olhando pra baixo. Isso sempre foi coisa mais sua do que minha. Todas as minhas atitudes sempre foram mais suas do que minhas.
Sinto sua falta. Volta um dia, tá? Nem que seja pra me cobrar teu CD. Tô com saudade da sua voz.
Espero que esteja bem.
Com amor,
A menina da camiseta do prisma.
Onde as ondas quebram.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Postado por Amelie às 02:06Quando eu te conheci estávamos bem perto da praia. O mais irônico da situação é que eu nunca tinha visto o mar, eu não fazia nem ideia de como nadar. Você me segurou pela mão e me mostrou a sensação nova de correr descalça na areia. Me mostrou o quão grande a praia é e, maior ainda, me mostrou o mar em sua forma mais majestosa. O grandioso rei mar. Tão grande que eu não podia ver seu fim, nunca vi, nunca consegui imaginar, muito menos quando sentia a sua mão junto à minha.
Pouco a pouco você foi me mostrando tudo o que eu nunca tinha visto.
A noite caiu, foi então a minha vez de te mostrar algo. Te apresentei cada uma das constelações no céu, dei seu nome àquela estrela que achei o brilho mais intenso. Nos beijamos e eu dormi nos seus braços.
Despertamos com o sol que nos tocou a pele antes que o sono fosse totalmente embora. Acordei com a cara de preguiça de sempre, sorri de canto ao ver seu cabelo também desajeitado, perdemos a noção do tempo quando vimos o belo astro sair das águas e cobrir por completo o céu com seu manto de luz. Vi seus olhos vidrados nos meus como quem queria dizer algo, entendi que já era hora de experimentar o mar. Novamente você me segurou e me levou até o início, onde as pequenas ondas se quebram. Senti aquela imensidão líquida aos poucos me empurrar de volta pra areia, as vezes me levava pra ele. Tive medo e te olhei. Vi a naturalidade com a qual você encarava tudo aquilo.
As pessoas começaram a entrar em pequenos barcos porque os ventos estavam favoráveis para um passeio. Você me colocou dentro de um barco. Remamos até certo ponto. Eu nem sabia remar! Lembra disso? Foi você quem me ensinou. Remamos incansavelmente... Então você disse que já era hora de eu aprender a remar sozinha. Te vi pular nas águas que ainda me apavoravam, você nadou até o cais e ficou ao longe me observando. Não tive tempo de te dizer nada, não consegui questionar, não pude pular na água porque eu nunca soube nadar. EU NUNCA SOUBE NADAR E... CÉUS! O QUE TE DEU NA CABEÇA PRA DEIXAR UMA PESSOA QUE NÃO SABE NADAR SOZINHA EM UM BARCO QUE NINGUÉM SABE PRA ONDE VAI?
Meu coração disparou, depois apertou, em seguida chorei feito uma criança que se perde dos pais. Eu te via o tempo todo, mas você já não podia me ouvir. Eu te chamava, mas você nunca escutava. Eu queria que você voltasse, mas eu nunca soube bem o que fazer.
Enquanto o desespero me consumia, peguei os remos e lembrei. Lembrei de tudo o que aprendi na minha viagem com você. Lembrei como remar, como voltar pra praia. Lembrei de cada milésimo que me levara até ali.
Hoje estou sentada no cais observando o mar e observá-lo me faz lembrar de tudo o que tentei esquecer. E tudo o que tentei esquecer, foi o que me salvou de me afogar em mim. Todos os meus medos se tornaram barcos à deriva, nada além.
Eu fico aqui olhando a mesma paisagem esperando você aparecer subitamente, tapar meus olhos e sussurrar no meu ouvido: "adivinha quem é?"
Sinfonia silenciosa
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Postado por Amelie às 02:06Eu errei.
A dor nunca mudou, ela aprendeu a esconder cada vez melhor, apenas. Era a minha atriz favorita, embora eu odiasse seu personagem. Eu odiava aquela forma como ela lidava com a vida, como se gostasse das coisas, como se entendesse de tudo, como se tivesse o controle daquilo que diariamente a surrava e deixava-a quebrada sangrando em um canto do quarto. Odiei tanto sua dor que decidi acabar com ela. Chamei-a para sair a noite, depois do parque. Tomamos o drink favorito dela: Blue sky. Sky. Céu. Supostamente, sua futura casa. Sempre achei que ela tinha vocação pra anjo, que de alguma forma ela não pertencia a esse lugar. Esse mundo é desgraçado demais pra ela, que mesmo cheia de marra, por dentro é uma menina que acorda todas as manhãs com o entusiasmo da criança que saboreia um algodão-doce enquanto desce o escorregador, e vai dormir todas as noites com as marcas de quem foi chicoteado até que não aguentasse mais. Com a desesperança de quem viu tudo ir embora.
Naquela noite, ela iria embora.
Levei-a para casa. Entreguei-me completamente. Fiz promessas, ela amava promessas, ela amava sonhar. Ela amava a ideia de talvez existir um "talvez". Ela amava tudo que a tirava daqui. Ao escrever essa carta, lembro de seus dedos me tocarem o rosto, os lábios, lembro de seus olhos pairarem sobre mim com um olhar infantil enquanto ela dizia: "você é a única coisa me manter viva, se não fosse por você, eu gostaria de partir, não sei lidar com mais nada." Limpei a lágrima que ousou cair. Segurei o choro. Beijei seus lábios de uma forma tão eterna que eu não poderia lhe dizer por quantos minutos aquele beijo se estendeu. Eu não seria mais o motivo dela de continuar suportando tanta dor. Ela merecia descanso. E dormiu em meus braços. Ao dormir, toquei seu rosto com ternura, ela suspirou pela última vez quando pressionei um travesseiro contra seu rosto. Os instintos humanos de sobrevivência a fizeram se debater um pouco enquanto eu chorava dizendo que a amava, ela perdeu o fôlego e serenamente partiu. Abracei seu corpo ainda aquecido enquanto minhas lágrimas se espalhavam por toda aquela matéria que agora era sem vida. A dor veio junto do alívio de salvar a minha pequena de tanto desespero. Só eu sabia pelo que ela passava.
Hoje não há um único dia no qual eu não me lembre dela. Todos os instantes, seus conselhos, críticas e filosofias malucas se fazem presente.
Ainda me questiono se ela foi real, ou se foi sonho.
Todavia, não conheço outra coisa sobre o amor além de tudo o que ela me mostrou. Dessa forma construí o nosso "pra sempre": na morte.
Leve
domingo, 10 de novembro de 2013
Postado por ~ Lu ~ às 01:18No fundo ele sabia que o romance com a Pianista duraria pouco. Durou o suficiente pra se tornar inesquecivel. O mesmo que havia acontecido com ela. Claro que ela era diferente. Era algo infinitamente maior, mais intenso, mais duradouro. Se ele fosse compositor comporia o réquiem agora. Mas não era. No máximo ele escrevia e desenhava, compor não era com ele. Deixou as chaves e o pão sobre a mesa. Esperou a casa perder a luz natural que trespassava a cortina. Em poucas horas deixou que as duas fossem. Pra pianista depois escreveria um e-mail lhe desejando sorte e tudo de bom e não esquecer de visita-lo quando voltasse. Para ela... para ela... subiu à laje vendo o sol sumir aos poucos e as nuvens adornando-o com uma coroa. Fechou os olhos, sorriu e, mentalmente escreveu uma pequena carta onde, resumidamente, despedia-se dela. Ao abrir os olhos se sentiu mais leve. Leve ao ponto de saber que ela, certamente, receberia a mensagem e ficaria e tiraria os pés do chão se deixando levitar, quem sabe até voar acima das nuvens. Assim como ele fazia agora. Leve de leveza, leve de beleza, leve com certeza, leve com clareza, leveza de leveza.
manha de quinta
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Postado por ~ Lu ~ às 01:34Agora franziu a testa. Que bosta que tive que sair e não pude ver sua birrinha... mas seria um crime imperdoavel te acordar meu amor. Não teriam avés-maria e nem padres-nossos capazes de aplacar minha pena por ter lhe acordado, ainda mais pra dizer que eu estava indo... odiaria ver seu sorriso da manhã virar um bico por eu estar indo. Claro que adoraria te ver bater o pé e reclamar porque eu me mudei, eu ia achar graça nisso... aliás, acho graça em você toda meu amor. Se não estou pior, é porque sei que está aqui comigo, dentro de mim, a cada instante. E daí que não pode responder as SMS por falta de saldo? Não ligo. Sei que lê e sei que manda suas respostas por nuvens, pela luz da lua e sei que me ouve conversar com a lua.
Fique bem que eu fico também. Lembra que o plano era ficarmos bem, lembra né? Quando menos esperar eu te faço mais uma surpresa, mas não toda hora se não te deixo mimada hahahaha
Te amo, muito e tanto, tanto e muito.
T(eh) amo.
~ Prê
Te odeio
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Postado por ~ Lu ~ às 02:08Admirador Secreto II
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Postado por ~ Lu ~ às 17:20Se, quando terminei a carta anterior, meu objetivo era me revelar nessa... pode esquecer. Não saírei da toca tão cedo. Mas, apesar da decepção, saiba que eu ainda te amo e nenhum tipo de comentário maldoso irá atrapalhar nossa história de amor, Carolina!
A carta que virá após essa, terá algumas pistas sobre mim, aposto que há de se lembrar de mim depois que lê-la! No entanto não quero mais saber de minhas cartas, na mão daquelas suas amigas falsas, não gosto delas. Acho que poderia ter amizades melhores, não? De qualquer forma, sei que logo vamos deixar tudo isso para trás e seguiremos rumo ao nascer do sol!
Com amor, Seu Admirador Secreto.
Admirador Secreto
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Postado por ~ Lu ~ às 02:51Mas um dia eu ainda vou sair daqui e ir ao seu encontro. Vou lhe convidar para saírmos, no passeio vamos dar as mãos e vamos deixar todos os outros casais mortificados de inveja, tamanha será a nossa felicidade estampada em nossos rostos! Ok, eu exagerei, mas, como sei que faz artes cênicas, e que está trabalhando arduamente em um papel em que irá fazer uma linda jovem que sempre consegue sorrir apesar dos pesares, das interperes, acabei me dando ao luxo de colocar uma pequena interpretação. Porém não tenho seu talento.
Deve estar se perguntando quem sou eu e porque não jogou essa carta no lixo sem lê-la até aqui não é mesmo? Viu como lhe conheço bem, Carolina, sei que sua curiosidade foi maior do que qualquer outra coisa e que agora deve estar se jogando no sofá tentando identificar o estilo de escrever, mas creio que não me reconhecerá. Espero nas próximas cartas revelar quem eu sou, ou... quem sabe bater na sua porta e lhe convidar para sair.
Com amor, Seu Admirador Secreto.
travesseiro
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Postado por ~ Lu ~ às 00:56amanhecer
domingo, 13 de maio de 2012
Postado por ~ Lu ~ às 20:38A verdade é que, enquanto escrevo essa carta/bilhete eu te vejo dormir, tão serena, tão tranquila, com um sorriso tão lindo, uma aura tão viva e brilhante... tão diferente daquela que eu vi aquele dia no seu trabalho. Me sinto bem em saber que fui eu o responsavel disso. Eu fico feliz em te fazer feliz, shiu, sei que vai balbuciar qualquer coisa agora. Quieta, continua lendo/me ouvindo, só por enquanto, pode ser?! Ótimo.
A verdade é que eu fiquei imensamente feliz com seu pedido, sério, se na hora eu ficar sem chão foi porque me pegou de surpresa. É a realização de um sonho sabia? Até estava comentando dia desses com nossa prima coisas completamente viajantes, como os detalhes do casamento que teria/terá que ser numa igreja com orgão (aquele tipo gótico) pra minha entrada triunfal, pra sua entrada triunfal, pra nossa saída triunfal.
Já deve ter percebido, mas estou sem unhas. Culpa sua ok?! Ando roendo tanto as unhas que, quando dou por mim, eu já estou roendo a carne rs.
Fica na cama até eu chegar, vou adorar chegar e te ver ainda meio dormindo, entrar de mansinho por baixo das cobertas e te ver acordar de novo.
Te amo meu amor, muito e tanto.
Calei-me
terça-feira, 8 de maio de 2012
Postado por Unknown às 16:49Eu tenho tentado forjar alguma força na expectativa de que isso te traga pra perto e te mostre que eu consigo estar com você, mas penso que agi errado. Eu deveria ter deixado escapar aquele choro dizendo "não vá" enquanto estávamos ao telefone. Eu deveria ter dito que sem você o meu sorriso é a maior das mentiras, eu deveria ter dito! Sei que o amor deixa livre, mas acho que seria melhor ter te prendido a mim naquela época. É injusto deixar algo tão verdadeiro tornar-se apenas história. Nunca consegui aceitar.
Tentaram varrer os farelos de esperança dentro de mim, mas não resolveu. O problema é: quando a gente espera por algo que não acontece, esses farelos começam a virar cacos de vidro que vão cravar mais fundo a cada passo dado.
Queria mesmo que você ouvisse o meu coração tal como desejo ouvir o seu. Talvez ele te explicasse as coisas que eu nunca consegui expôr. Ele poderia deixar escapar essa frase que enterrei viva, esse algo que me é difícil até de escrever. Esse... esse "eu te amo".
Retorno
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Postado por ~ Lu ~ às 11:33Não sei como consegui guiar o carro até a nossa praia, lá liguei o rádio afim de espairecer. Meu plano durou poucos segundos, logo começou a nossa música, cantei junto ela inteira, depois, me debrucei no volante e chorei, perdi a noção do tempo que fiquei lá. Sei que pedi que fosse, sei que fiz uma escolha, porém agora quero desfaze-la. Mas agora quero recomeçar do zero, dessa vez com mais solidez, as paredes de tijolos mais firmes, o muro de pedras... Será que ainda tenho esse direito? Tomara.
Com amor, Michael.






