Schorodinger
domingo, 12 de abril de 2020
Postado por ~ Lu ~ às 16:46Festa
segunda-feira, 30 de abril de 2018
Postado por ~ Lu ~ às 12:05- Não sei, sobreviver é meio que um dever de todo mundo, então acho que não. Não?
- Não, se fosse sobreviver e se sobressair, aí sim mereceria uma parabenização, assim, só sobreviver sem mover muito mais coisas do que qualquer um moveria não seja passível de comemorar.
- Entendi. E quando se sobrevive em meio a inquietações e nuvens negras que soterram a existência e tiram toda a vontade de sobressair ou até mesmo de colocar aqueles velhos projetos em ação, quando se faz, ainda que o básico, por não conseguir sair desse vórtice, e quanto sobreviver, tendo uma voz doce que todo dia diz "pule" ou que, todo dia de manhã diz "pra que fazer tudo isso? Você vai aabar fracassando, frustrando as pessoas de novo e de novo e de novo, esse é seu destino", quando reagir aos estímulos é o máximo que se consegue fazer nos dias que passam todos iguais?
- Bem... aí acho que cabe alguma felicitação, afinal não se está deixando ser totalmente tragado pelas inquietações, reagir a estímulos faz com que as inquietações se calem, que essa voz cesse seu discurso.
- Elas sempre estão ali, naqueles dois segundos entre dar um enter e começar a próxima linha de texto, enquanto um software carrega, enquanto vai ao banheiro, na hora do almoço a voz se torna mais intensa, então se afoga em comida para ver se ela se cala, na hora do jantar a comida não é tão farta então se afoga em bebibda e só assim consegue sobreviver a mais um dia.
- Compreendo... então, se é assim, vamos celebrar.
- Com comida e bebida?
- Sim, comer e bebes, uma celebração completa, passe naquela loja e compre uns balões, encha-os e coloque alguns na parede, vai dar um ar renovado para a velha decoração, vamos comemorar todos os dias antes de dormir.
- Assim a comemoração vai parecer algo automatico, uma rotina...
- Então só me resta dizer uma coisa...
- O que?
- Pule...
Garoa
domingo, 9 de abril de 2017
Postado por Amelie às 01:57Costumava andar lado a lado com a solidão, segurava sua mão com força, tínhamos uma relação intensa de intimidade. Tanta foi a intensidade que ela desistiu de andar ao meu lado, quis dar um passo maior. Hoje vive dentro de mim, tem de mim tudo que sou. Deve ser isso o tal do amor.
Mefistófeles
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Postado por ~ Lu ~ às 14:30Atenciosamente,
Helena.
O início do fim - parte I
sábado, 24 de setembro de 2016
Postado por Amelie às 15:58Instintivo
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Postado por Amelie às 14:07"Sempre gostei de biologia, particularmente eu achava a cadeia alimentar muito interessante. Os insetos se alimentavam de outros insetos. Os animais pequenos eram devorados por animais maiores e os seres humanos, por sua vez, se alimentavam dos animais e também devoravam uns aos outros."
Era só mais uma quarta-feira de chuva onde eu normalmente ficaria em casa vendo série policial, lendo ou tocando piano enquanto o pequeno Mik tentaria escalar meu colo a fim de alcançar as teclas. Mik é meu meio irmão caçula, filho de meu pai e Lilian. Diferente de Peter que não tinha lá grandes semelhanças comigo, Mik tinha chamas na pupila. O mesmo tom que as vezes lembrava mel, as vezes avelã avermelhado tanto nos cabelos quanto nos olhos. Fato que deixava Lilian ligeiramente furiosa, tanto o apego de Mik por mim quanto suas semelhanças físicas... É que eu lembrava a grande rival de Lilian: a falecida Helena Rosália. Sim, outra Helena. Por coincidência, minha mãe.
Lilian... Sempre histérica. Peter, sempre silencioso demais pra um garoto de nove oito anos. Meu pai, tentando ser um pai... eu acho. Não sei. Não sei onde andava a cabeça de meu pai. Sei que a minha estava cheia. Eu odiava ter dias iguais, odiava andar na linha e certamente eu morreria se não escapasse vez por outra. Recebi uma mensagem no celular "Saudades, gatinha. Espero que não esteja chateada. Um beijo daqueles" Era Dimitri. O cara por quem eu fui apaixonada todo o tempo de escola. Ficamos juntos até o começo do primeiro ano, quando ele era um cara legal, até ele começar a andar com... Não importa muito. Ainda estava chateada. Odiava a forma como ele falava comigo. Odiava o novo Dimitri, mas no fundo sempre achava que ia encontrar o meu Dim ao receber um beijo na testa depois de uma de nossas aventuras...
Resolvido: colocaria meu velho jeans, a jaqueta e o coturno. Um batom, soltar os cabelos e uma aparição surpresa talvez não fosse tão ruim.
Sai de casa com uma pequena garrafa de Coca-Cola em mãos. Sempre achei uma palhaçada isso de nomes escritos em embalagens, mas se fosse pra ter, então que tivesse o meu nome. A chuva não foi gentil comigo.
No primeiro toque de campanhia, a mãe de Dim apareceu no portão franzindo a testa como quem tenta ter certeza do que está vendo. Ela me encarou e logo soltou:
— Helena, é você mesma ou eu fiquei velha e gagá?
— A própria em carne e osso.
— Ora, menina, mas quanto tempo! — Ela me olhou de baixo pra cima — Você não muda mesmo, né? Continua usando essas roupas esquisitas de quem trabalha em cemitério.
Ri de canto enquanto ela abria o portão
— Também senti sua falta, Dona Débora.
Entrei e subi as escadas depressa, assim que cheguei na porta me deparei com Dim, suas pupilas estavam tão dilatadas que cogitei a hipótese dele ter acabado de usar cocaína.
— Helena Vincent.
— Dimitri Müller.
Não dissemos mais nada. Apenas ouvi o ruído da porta fechando devagar. Dim me segurou com força contra a parede e me beijou como se não beijasse ninguém há anos. Seus lábios corriam por meu pescoço e sua respiração ofegante ao meu ouvido me faziam corar. Eu poderia mergulhar naquele momento centenas de vezes incansavelmente. Não demorou mais do que cinco minutos até estarmos completamemte nus. Entreguei-me a Dimitri como nunca fizera antes. Pensei no cara em que amei. Sentia o sabor do vinho em seus lábios enquanto seu corpo estava completamente entrelaçado ao meu. Ele parecia sedento e eu gostava daquilo. Eu gostava da adrenalina que me trazia. Presos um ao outro, suas mãos tocavam as minhas, toquei seu rosto, Dimitri me encarou por alguns segundos como se fosse dizer algo mas pareceu engolir e simplesmente me prendeu pelo pulso com tanta força que seus dedos ficaram marcados em minha pele.
Outra de nossas aventuras se findou e o beijo na testa não veio. Encostei a cabeça em Dimitri. Acariciei levemente seu peito sentindo o relevo da tatuagem de lobo recém feita. Aquele momento foi curto. Senti vontade de chorar, mas felizmente estava cansada demais. Resolvi outra vez só deixar pra lá.
Logo Dim levantou colocando as calças e apertanto o cinto depressa. Ele jogou um olhar maldoso pra mim enquanto passava a língua no contorno dos lábios. Aquilo me fez lembrar os filmes de vampiros que eu assistia, quando o vampiro acabava de saciar-se com o sangue de alguém o ritual era o mesmo: passar a língua pelos lábios aproveitando até a última gota.
Eu então eu sabia que já não existia mais amor, nem mesmo consideração. Éramos apenas presas na cadeia alimentar um do outro. Éramos apenas lembranças de um passado que mais parecia um quadro desbotado na parede.
Exausta, adormeci.
Querida Alice,
domingo, 27 de setembro de 2015
Postado por Amelie às 23:10Toda manhã eu acordo, coloco um moletom e saio pra fumar. O primeiro cigarro do dia sempre é o melhor. Em seguida fico sentada, sozinha, pensando em nós. No tempo que perdemos e criando com uma expectativa ardente tudo o que vem pelo futuro. Eu não sei se devo te amar, entretanto creio que isso acontece antes que eu pense em evitar. Eu preciso te encontrar, Ali, eu preciso te levar pra conhecer essa cidade e o mundo todo. Eu preciso ter você por perto. Eu preciso de você, mais que qualquer coisa.
Espero ansiosamente por sua resposta.
Com amor,
Helena.
Requiém de uma tempestade
domingo, 30 de março de 2014
Postado por Amelie às 19:57Eram memórias distantes. Tudo o que eu passei a conhecer era sobre solidão. Descobri que a dor tinha som. Som de choro. Som de chuva. Som de música instrumental, quase como Clair De Lune. Em seus casos mais extremos, eu também poderia dizer que o som da dor se parecia com "Moonlight Sonata" de Beethoven. A tristeza tinha o mistério e profundidade da obra "The Crow" de Van Gogh. Que talvez, sofrer também fosse uma arte das mais masoquistas e sádicas ao mesmo tempo. Descobri que o poeta vive de sua angustia, dela vende e dela mantém-se vivo. E que bela ironia manter-se vivo quando tudo de mais humano em você já morreu! Artistas não fazem sentido tal como nada conhecido na existência faz sentido.
Que é o amor se não as flores jogadas sobre o túmulo de quem já desistiu de si próprio? Que é o amor, se não o último floco de neve quando o inverno acaba? Que é o amor, se não apenas um rastro de esperança mal guardada?
A vida é líquida e corre por entre os vãos dos dedos sem que ninguém perceba.
"Luz! Luz! Mais luz!" e de Goethe, faço essas também minhas palavras. Embora o quarto fosse claro, todo acúmulo de sentimentos me cegava. "Luz", gritava o espírito de Goethe assim como meu espírito grita. Mais luz.
Inacabado
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Postado por Unknown às 08:41Astronauta de Mármore 2
domingo, 9 de dezembro de 2012
Postado por ~ Lu ~ às 02:29Farmacodependencia
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Postado por Unknown às 02:31Devo dizer: na prática, é quase igual. Um viciado em cocaína sofre com a fissura e precisa a qualquer custo da droga pra evitar um surto. Eu vivo o mesmo. Não é o "pó", mas são os comprimidos. Sedativos e mais sedativos. Tive a fase da anfetamina, mas essa consigo controlar com mais facilidade. Psicotrópicos, bendiazepínicos... Eu poderia citar qualquer tipo de droga e explicar seus efeitos. Sou um viciado "consciente" - se é que isso existe. Eu sei que tantos remédios pouco a pouco começam a matar, mas não importa muito. No fundo nada importa. O vazio dentro de mim é maior do que a minha força pra lutar contra o vício. Não tenho paz, minha tranquilidade só aparece quando estou sedado. Sou covarde. Sou a vergonha da família, a sujeira escondida debaixo do tapete.
Agora mesmo estou "sóbrio" e olha só: não é uma boa ideia. Cá estou, expondo meus dramas publicamente. Lamentando. Antes que pense qualquer coisa, saiba que não sou um desocupado que precisava ter apanhado mais na infância, nem mesmo meu nome você sabe, então peço gentilmente: não me julgue. Não sei lidar com culpas e se você me acusar de qualquer coisa, terei que tomar mais comprimidos do que o habitual. Aprendi a não precisar de ninguém. Não preciso de amigos, não preciso de amores, não preciso. Só preciso das minhas fórmulas de equilíbrio.
Criei minhas próprias estratégias, minhas próprias fugas, aprendi também a puncionar veias, afinal, nas minhas piores crises eu não suportaria esperar o efeito dos remédios começarem. Demora demais. É bem mais rápido dissolver e injetar. Como você vê, não existe mesmo grande distinção entre a minha vida e a vida do drogadinho jogado em uma cracolândia. É o mesmo vácuo interno, a mesma prisão, o mesmo buraco, separados apenas por classes.
Não sei resistir, então prefiro viver como um zumbi. Amortecido, anestesiado, fora de mim. Prefiro não pensar em mais nada. Prefiro não sentir dor. Prefiro assim, estar 24 horas por dia completamente "drogado", porque sentir dói, e dor se alivia com remédio.
Atenciosamente,
O "chapado" que está tentando sobreviver a mais um dia de abstinência.
Astronauta de Mármore
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Postado por ~ Lu ~ às 00:46Os dias aqui não são fáceis, no meu buraco vivemos em mais de vinte, dos quais eu sei o nome de meia dúzia, dos quais eu conheço a história entrecortada de um ou outro. Consegui esse papel e caneta com um desses amigos, Téo, ele disse que achou na rua e trouxe pra cá... mas acho que a história não é bem essa, mas não vem ao caso agora. Já sinto meu corpo tremer, minha letra deve estar quase ilegivel agora, eu estou tentando me controlar mas não consigo mais, há muito perdi o controle sobre isso e, tem momentos que espero morrer logo, pois a cura parece algo distante demais.






