Para ser guardado

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Hey, meu bem

Estou escrevendo hoje só pra te lembrar de lembrar.
Lembrar vez por outra de algo que gosta em mim, é necessário manter alguma admiração em dia. Lembrar que ainda te cubro enquanto você dorme. De não deixar você esquecer de dar aquele beijo de bom dia ou de fazer um carinho durante o sono. De não esquecer de trazer o café na cama esporadicamente ou de me chamar pra sair, nem que seja pra sentar na calçada e discutir teorias sobre o universo. Te lembrar de não ter medo de arriscar, não ter medo da aventura, do novo, da adrenalina. Precisamos de adrenalina, meu bem. Precisamos redescobrir um ao outro, tanto hoje como todos os outros dias. 

Não esquece o bilhete romântico com a flor roubada na rua, as pequenas surpresas, os detalhes, de dizer que ama. De mostrar que ama.
Não esquece o desejo, a vontade, o êxtase.
Não esquece a pessoa que há por debaixo da pele.
Não esquece de ti, também.
Não esquece do que éramos, somos e pretendemos ser.
Não deixa nosso amor desbotar, não.
Não deixa tudo murchar feito rosa sem água. Continue nos regando, nos deixando florescer.
Escrevo hoje pra lembrar que te amo. Que tudo é diferente, mas te ver ainda me lembra a sensação que eu tinha ao descer as escadas para abrir o portão cada vez que você chegava. A mesma taquicardia, o mesmo brilho no olhar com a pupila ainda dilatada. Pra lembrar que não importa o quanto eu esteja te vendo, ainda sinto saudade.

Ps: Lembra do que me disse quando perguntei o que faria se eu fosse embora? Então.

te amo

O bilhete no teu travesseiro

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Você dorme e eu te olho com uma vontade absurda de ter você, de sentir sua boca encostada no meu ouvido, de me juntar contigo assim sem avisar, mas penso que talvez isso fosse dado como quebra de contrato. Temos as nossas leis, vamos ao início. Coloquei meu coração na caixinha junto com a aliança e ele ficou lá, guardadinho. Te olho e te quero mesmo sem hoje ter muita certeza de quem você é, de quem eu sou, do que somos. Só quero. Sabe bem que sou assim. As vezes vou fazer manha e rolar pro lado esquerdo da cama só pra ver você se empurrar pra perto e me puxar de volta pela cintura. Pra sentir esse seu "vem cá ou eu te puxo pra mim". Precisa ser assim, as vezes você precisa me puxar, a maioria delas, mas eu vou.
Eu sempre vou.

Garoa

domingo, 9 de abril de 2017

Costumava andar lado a lado com a solidão, segurava sua mão com força, tínhamos uma relação intensa de intimidade. Tanta foi a intensidade que ela desistiu de andar ao meu lado, quis dar um passo maior. Hoje vive dentro de mim, tem de mim tudo que sou. Deve ser isso o tal do amor.

Adequações

sábado, 18 de fevereiro de 2017

De: ele
Para: ela
Assunto: [sem assunto]

Olá, não sei bem como começar essa carta, eu sei o que eu tenho que escrever mas não sei como escrever da forma rebuscada que sempre trocamos nossas cartas.

Não vou fazer acusações, dizer que a culpa é tua, minha, dos vários alguens que atravessaram nosso caminho ou do tapete em formato de borboleta que rodei meia cidade pra achar.

Não. Faço um mea culpa porque pisei na bola inúmeras vezes. Mas a verdade (dolorosa, diga-se de passagem) é uma só uma: eu sou conveniente. Dizes que temos ligação e tudo mais, que quanto estas mal me procura e eu te faço sorrir e tudo mais, que isso é uma ligação psíquica e toda essa coisa que acontece em filme...

Mas... e quando eu estou mal a ligação se rompe. Tu somes, se afasta. Não deve querer essa energia perto de ti. Compreendo. Sei que não é fácil conviver com alguém que a lembrança mais antiga que tem é a de querer morrer. Eu sei que tinhamos um acordo sobre esse acordo, mas eu simplesmente não consigo mais evitar pensar nisso. É mais forte do que eu. Sinceramente não acho sustentável essa relação de "okay, hoje preciso dele porque estou mal" e quando ele ta mal ela some.

Enfim. Se eu parecer frio e distante a partir do clique no enviar não se assuste. Ou se assuste, porque vamos estar um passo adiante nos nossos futuros.

~ Eu