Retorno

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Eu sei que pedi que se afastasse, que me deixasse, que, por ora, nossos caminhos iriam se separar... No começo desse afastamento, fui forte, recebi inumeros elogios de alguns amigos "você conseguiu, viu como você é forte?!", elogios de como eu era forte por estar bem apesar dos pesares... enganei a todos! Se eu aparento ter superado é porque sei disfarçar bem, sei mentir bem. A verdade é que, hoje a tarde, enquanto passava perto de onde trabalha (na verdade passei bem em frente, em baixa velocidade) eu te vi. E não gostei do que eu vi... não vi seu sorriso, não vi aquela sua aura brilhante em volta de ti... quer dizer, ela estava lá, porém opaca, bastante apagada.

Não sei como consegui guiar o carro até a nossa praia, lá liguei o rádio afim de espairecer. Meu plano durou poucos segundos, logo começou a nossa música, cantei junto ela inteira, depois, me debrucei no volante e chorei, perdi a noção do tempo que fiquei lá. Sei que pedi que fosse, sei que fiz uma escolha, porém agora quero desfaze-la. Mas agora quero recomeçar do zero, dessa vez com mais solidez, as paredes de tijolos mais firmes, o muro de pedras... Será que ainda tenho esse direito? Tomara.

Com amor, Michael.

1 comentários:

Bell disse...

Corri o mais de pressa que pude e agarrei aquele pedaço de papel como um doente que encontra sua cura. (Deus... devo ler? Será pra mim? Seria dele? Caralho... eu devo estar ficando maluca! Não é pra mim, não é meu, é só um pedaço de papel!!!) Mas não poderia ser só um pedaço de papel, não poderia ser de outra pessoa, nem pra outra pessoa. Não naquele lugar, não no lugar aonde íamos pra nos encontrar, não ali! Ninguém ia lá. Era um lugar mágico, único. Nosso! Entre invadir a privacidade de alguém e matar a minha curiosidade. Segui meu coração. Soltei o bolinho de papel que apertei por quase o dia todo e lentamente desdobrei o retângulo. (Estava dobrado em 4 partes, meu coração batia descompassadamente só em contar as partes que aquele papel havia sido dobrado.) Antes de ler, e ao ver a caligrafia, os olhos começaram a marejar, o nó na garganta rasgou em soluços sem que eu pudesse fazer nada que fosse capaz de me fazer parar de chorar. Foi um misto absurdo de sentimentos... "Raiva, (era do carro dele o ruído, devia ter me levantado e ido até ele.) Arrependimento, (por querer ser tão forte quanto ele, e dar a ele o que ele me pediu naquele "outro" momento.) Dor, (muita dor, dor no peito, dor na alma, dor no corpo inteiro. Uma dor que poucos são capazes de enxergar por trás do sorriso convincente que tenho.) Alegria... (ele não havia se esquecido, ele não tinha se esquecido de mim, de nós, do que tínhamos, do que temos)."

- Bell