Aos Policiais III - Final

terça-feira, 22 de maio de 2012

Olá senhores policiais. Não vou perguntar como estão, sei que agora estão bem. Agora que Emilly está em segurança dentro dos seus dominios. Claro, de praxe encaminharam-na para um hospital afim de fazer nela inumeros exames, compreendo os senhores. Mas digo que não é necessário, devolvam à ela o convivio com seus familiares o quanto antes, creio que esta experiência lhe foi traumática ao extremo e isso a fará passar por terapias por anos. Porém melhor assim não?!

Devem agradecer à essa jovem de cabelos rubros por esta carta chegar às suas mãos com ela ainda respirando. Vou lhes contar o objetivo inicial: sim, era mata-la. Da pior forma possivel, a deixaria sangrar por algum tempo, ver toda a pele dela esbranquiçar... no entanto não fui capaz quando vi nos olhos dela algo que só tinha visto nos seus, Margery, ela não demonstrava medo, pelo contrário, demonstrava uma... fúria talvez? Não, era algo mais sublime, mais... mágico! Os olhos dela desafiavam-me a fazer o que eu planejava. Nesse instante a adaga caiu de minha mão fazendo o barulho de um metal quando toca o chão descendo de altura maior que um metro.

O instante seguinte foi como se eu acordasse de um sono muito grande. Não, não me arrependo do que fiz. E não, não fiz absolutamente nada fora de mim, em um estado de insanidade temporário. Lamento aos senhores advogados se pretendiam alegar insanidade, tudo que fiz, fiz completamente dentro de minhas faculdades mentais normais. Desisti dela. Os olhos dela me pararam. Será ela um sinal? Margery... será?

Quando aproximei o pano com formol do rosto de Emilly ela me questionou o porque daquilo. Disse que precisava de um instante a sós comigo mesmo. Disse-me que se fosse para morrer, queria que fosse olhando nos olhos do seu assassino. Afaguei-lhe os cabelos, não a mataria. Pedi desculpas e coloquei o pano sobre seu nariz e boca. Ela não relutou, apenas as palpebras pesaram e ela adormeceu, serena e a respiração ficou calma. Só a vendo assim é que consegui escrever esta carta.

Peço-lhes que não a interroguem. O retrato falado dela não é importante. Após essa carta Margery já saberás quem sou. Aliás, desde a última carta ela já sabe, apenas não tinha confirmação. Agora tens Margery. Estou lhe esperando, venha me buscar. Espero que chegue a tempo de me pegar. Torço para que consiga.

Até, espero, breve.
Sem assinatura, pois Margery, ao fim destas linhas, saberá que sou eu, e só isso importa.


ps.: encerro assim essa pequena trilogia, não haverão mais mortes, não da minha parte, creio que alguns imitadores poderão surgir, mas os pegarão logo. Confio nesse departamento de policia e nos seus competentes integrantes.

2 comentários:

Nana disse...

Adorei!
Mas deve ser muito mais interessante ler tuas cartas de amor *rs
Beijos.

Bell ઇ‍ઉ disse...

Concordo!